«Deveríamos falar igualmente dos livros que lemos e que falhámos, desses com os quais nunca nos conseguiremos entender, porque, embora sejam geniais, não nos correspondem [1], desses outros livros que precisam de ser relidos para que os assimilemos [2], dos que temos vontade de reler por puro prazer [3], dos que certamente nunca mais voltaremos a abrir mas de que não nos queremos separar [4], dos autores que prometemos reler integralmente um dia ou descobrir [5], etc.»
Jacques Bonnet, Bibliotecas Cheias de Fantasmas
Encontro, na minha biblioteca, um exemplo de cada um dos casos referidos.
1. Ulisses, James Joyce
2. Pedro Páramo, Juan Rulfo
3. Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust
4. Os Maias, Eça de Queirós
5. Vitorino Nemésio
Mostrar mensagens com a etiqueta breves citações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta breves citações. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
sábado, 27 de março de 2010
DESCOBRINDO MEXIA

Cronista, poeta, dramaturgo, crítico de cinema, Pedro Mexia esteve na escola, a convite do Clube de Cinema, para apresentar um dos seus filmes de eleição.
Descubro-o agora, vagarosamente, como poeta.
Por exemplo, neste poema do seu livro Eliot e Outras Observações:
ALUNOS DO LICEU
Alunos do liceu que me passais pela retina
porque não vos fixais? Encostados ao vento
descem a rua, bando feliz, alguns isolados
em pequenas tristezas. Os rapazes, na sua rudeza
artificial, trazem raquetes, usam neologismos,
enquanto as raparigas, que ontem mesmo
despontaram, segredam cenários entre sorrisos.
Todos rua abaixo, mesmo a tempo
da aula das oito, e trazendo nas mochilas
insuspeitados tesouros.
terça-feira, 9 de março de 2010
UMA EVOLUÇÃO PARALELA
Se alguns amores há que são para ser mascados rapidamente e engolidos, como fast-food, outros, mais difíceis mas mais compensadores, devem saborear-se. Assim sucede com a minha última paixão. Vou apresentar um pedacinho, um fragmento, só, desse amor vagaroso e exigente:
«Muito da força da tecnologia, pensada em sua generalidade, vem desta conversão de uma ambivalência ancestral numa função única. É isto que faz o avião voar, a roda do carro girar, a lâmpada acender - o assassinato do possível. A tecnologia não é a falsa maravilha mas a mais violenta delas, já que cala todas as demais. Pois quem pode garantir que o borrifamento gracioso e a dispersão contínua da água, como numa gigantesca fonte barroca, não seriam capazes, numa outra evolução tecnológica (feita a partir do pó e não do fogo, da lama e não da roda, do vinho e não do pergaminho, do grito e não da fala), de gerar mais energia do que as hedrelétricas? Ou que ao invés de utilizar aviões pudéssemos ser catapultados em colchões de ar até o outro lado do oceano, abraçados a travesseiros de penas de ganso que voassem ainda? Não haverá em nosso grito uma enorme fonte de energia desperdiçada, e será que o mecanismo de nossas pálpebras não dispensaria combustíveis fósseis? E se cuspíssemos para cima? E se não fizéssemos nada? E se acendêssemos lâmpadas com bocejos?»
Mantenho, como perceberam, o português do Brasil. O autor chama-se Nuno Ramos. O livro tem um título tão simples e tão inesquecível como isto: Ó! Foi Prémio PT em 2009.
«Muito da força da tecnologia, pensada em sua generalidade, vem desta conversão de uma ambivalência ancestral numa função única. É isto que faz o avião voar, a roda do carro girar, a lâmpada acender - o assassinato do possível. A tecnologia não é a falsa maravilha mas a mais violenta delas, já que cala todas as demais. Pois quem pode garantir que o borrifamento gracioso e a dispersão contínua da água, como numa gigantesca fonte barroca, não seriam capazes, numa outra evolução tecnológica (feita a partir do pó e não do fogo, da lama e não da roda, do vinho e não do pergaminho, do grito e não da fala), de gerar mais energia do que as hedrelétricas? Ou que ao invés de utilizar aviões pudéssemos ser catapultados em colchões de ar até o outro lado do oceano, abraçados a travesseiros de penas de ganso que voassem ainda? Não haverá em nosso grito uma enorme fonte de energia desperdiçada, e será que o mecanismo de nossas pálpebras não dispensaria combustíveis fósseis? E se cuspíssemos para cima? E se não fizéssemos nada? E se acendêssemos lâmpadas com bocejos?»
Mantenho, como perceberam, o português do Brasil. O autor chama-se Nuno Ramos. O livro tem um título tão simples e tão inesquecível como isto: Ó! Foi Prémio PT em 2009.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
RECEITA
E entre um pouco de tudo o que é importante e este blogue vai acolhendo, numa deliciosa desordem, aproveito para vos trazer aqui uma citação, também ela deliciosa.
Eis o diagnóstico de Pablo Neruda, leitor de Cortazar, que recomenda - peremptoriamente - a sua leitura:
«Quem não ler Cortazar está condenado. Não o ler é uma doença grave e invisível que, com o tempo, pode ter terríveis consequências. Algo de semelhante ao homem que nunca provou pêssegos e que vai ficando mais triste, visivelmente mais pálido e, provavelmente, aos poucos, perdendo todo o seu cabelo.»
PABLO NERUDA
Eis o diagnóstico de Pablo Neruda, leitor de Cortazar, que recomenda - peremptoriamente - a sua leitura:
«Quem não ler Cortazar está condenado. Não o ler é uma doença grave e invisível que, com o tempo, pode ter terríveis consequências. Algo de semelhante ao homem que nunca provou pêssegos e que vai ficando mais triste, visivelmente mais pálido e, provavelmente, aos poucos, perdendo todo o seu cabelo.»
PABLO NERUDA
Subscrever:
Mensagens (Atom)