A escolha de... Rita Taveira (7ºF)
PERGUNTO-TE ONDE SE ACHA A MINHA VIDA
Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada
de uma verdade minha bem possuída
Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.
E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida
por esperanças hereditárias? E de cada
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa
que envolve a posição dos olhos de quem pensa.
Já não sei mais a diferença
de ti, de mim, da coisa perguntada,
do silêncio da coisa irrespondida.
Cecília Meireles, in Poemas (1942-1959)
quinta-feira, 3 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... João Leonardo (7ºF)
ISTO
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Fernando Pessoa
ISTO
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Fernando Pessoa
terça-feira, 1 de maio de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... A páginas Tantas
Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul
Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar
Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar
Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu
José Afonso, Cantigas do Maio
Para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=gbcQt_f1DK0
Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul
Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar
Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar
Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu
José Afonso, Cantigas do Maio
Para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=gbcQt_f1DK0
segunda-feira, 30 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de...Tiago Santos
COM UMA VIAGEM NA PALMA DA MÃO
Agarras-te à hora
Em que o tempo não passou
Mergulhas nas cores
Que a loucura te emprestou
E quando te vês para lá do espelho
Encontras a solidão
Descobres o Mundo
De quem tem pouco a perder
E sobes às estrelas
Que ontem não podias ver
E perdes o medo de estar só
No meio do multidão
Tradições
Atrás de contradições
Fizeram-te abrir os olhos
Podes dizer:
Eu... sou
Jorge Palma, in Com Uma Viagem Na Palma da Mão
COM UMA VIAGEM NA PALMA DA MÃO
Agarras-te à hora
Em que o tempo não passou
Mergulhas nas cores
Que a loucura te emprestou
E quando te vês para lá do espelho
Encontras a solidão
Descobres o Mundo
De quem tem pouco a perder
E sobes às estrelas
Que ontem não podias ver
E perdes o medo de estar só
No meio do multidão
Tradições
Atrás de contradições
Fizeram-te abrir os olhos
Podes dizer:
Eu... sou
Jorge Palma, in Com Uma Viagem Na Palma da Mão
domingo, 29 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Ana Cristina Marques
UM HOMEM SÓ
Um homem de meia idade treme,
tem na mão o papel, o argumento
ou a escapatória daquilo que o traz por ali.
Esconde as palavras que parecem
dissimular-se por detrás dum bigode
nervoso. O olhar foge-lhe para a mão
onde transporta a sua arma de caligrafia
urgente, vem assinada por alguém
que lhe reconhece certamente os passos
e as angústias, obstáculos de toda uma vida
que deixou de lhe despertar o interesse.
«Eu quero cumprir!»
Repete ele a custo, numa espécie de discurso
com que engana a sua própria existência.
O destinatário do recado finge acreditar
na sua encenação.
O homem bate em rápida retirada
prometendo regressar com brevidade,
mas só ele sabe o quanto quer fugir dali,
o quanto é amarga a figura que representa
neste cilíndrico mundo cruel, que o esmaga,
sem contemplações.
Miguel Pires Cabral
UM HOMEM SÓ
Um homem de meia idade treme,
tem na mão o papel, o argumento
ou a escapatória daquilo que o traz por ali.
Esconde as palavras que parecem
dissimular-se por detrás dum bigode
nervoso. O olhar foge-lhe para a mão
onde transporta a sua arma de caligrafia
urgente, vem assinada por alguém
que lhe reconhece certamente os passos
e as angústias, obstáculos de toda uma vida
que deixou de lhe despertar o interesse.
«Eu quero cumprir!»
Repete ele a custo, numa espécie de discurso
com que engana a sua própria existência.
O destinatário do recado finge acreditar
na sua encenação.
O homem bate em rápida retirada
prometendo regressar com brevidade,
mas só ele sabe o quanto quer fugir dali,
o quanto é amarga a figura que representa
neste cilíndrico mundo cruel, que o esmaga,
sem contemplações.
Miguel Pires Cabral
sábado, 28 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de … Ângela Semedo
LIBERTAÇÃO
E porque o teu coração encerra
a saudade do mar e a saudade da terra
- tua ilha é grande.
E porque teus sentidos traçam norte e sul
e traçam leste e oeste norte e sul
- tua ilha é grande.
E porque tens os olhos virados para o azul
para lá do azul e para cá do azul
- tua ilha é grande.
E porque teu sangue vive o destino de tantas raças
no mesmo latejar de ansiedades e resignações dores alegrias e desgraças
- tua ilha é grande.
Manuel Lopes
LIBERTAÇÃO
E porque o teu coração encerra
a saudade do mar e a saudade da terra
- tua ilha é grande.
E porque teus sentidos traçam norte e sul
e traçam leste e oeste norte e sul
- tua ilha é grande.
E porque tens os olhos virados para o azul
para lá do azul e para cá do azul
- tua ilha é grande.
E porque teu sangue vive o destino de tantas raças
no mesmo latejar de ansiedades e resignações dores alegrias e desgraças
- tua ilha é grande.
Manuel Lopes
sexta-feira, 27 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… Isabel Rainha
Na Universidade de Coimbra, os anos sessenta, em plena
ditadura, ficaram marcados pela contestação ao regime. Era principalmente
através dos poetas que se chegava aos menos politizados alertando-os para as injustiças, ao mesmo tempo que se mostrava um caminho de esperança.
José Afonso e Adriano Correia de Oliveira traziam-nos
a palavra dos poetas com música, a que melhor atinge o coração dos homens, mas
havia livros que nos tocavam de modo muito especial porque refletiam o nosso
tempo. Era o caso da Praça da Canção e de O Canto e as Armas, ambos
de Manuel Alegre.
O poema que envio pertence ao último livro. Fala-nos
do poder da palavra e é dedicado a Luís de Camões.
LUÍS DE CAMÕES
Tinha uma flauta.
Não tinha mais nada mas tinha uma flauta
tinha um órgão no sangue uma fonte de música
tinha uma flauta.
Os outros armavam-se mas ele não:
tinha uma flauta.
Os outros jogavam perdiam ganhavam
tinham Madrid e tinham Lisboa
tinham escravos na Índia mas ele não:
tinha uma flauta.
Tinham navios tinham soldados
tinham palácios e tinham forcas
tinham igrejas e tribunais
mas ele não:
tinha uma flauta.
Só ele Príncipe.
Dormiam rainhas na cama do rei
princesas esperavam no belvedere
Ele tinha uma escrava que morreu no mar.
Morreram escravas as rainhas
morreram escravas as princesas
nenhuma teve o seu rei
para nenhuma chegou o Príncipe.
Por isso a única rainha
foi aquela escrava que morreu no mar:
só ela teve
o que tinha uma flauta.
Morreram os reis que tinham impérios
morreram os príncipes que tinham castelos
mas ele não:
tinha uma flauta.
De fora vieram reis
vieram armas de fora
os príncipes entregaram armas
ficou sem armas o povo.
As armas de fora venceram
todas as armas de dentro.
Só não venceram o que não tinha armas:
tinha uma flauta.
E as vozes de fora mandaram
calar as vozes de dentro.
Só não puderam calar aquela flauta.
Vieram juízes e cadeias.
Mas a flauta cantava.
Passaram por todas as fronteiras.
Só não puderam passar
pela fronteira
daquela flauta.
E quando tudo se perdeu
ficou a arma do que não tinha armas:
tinha uma flauta.
Ficou uma flauta que cantava.
E era uma Pátria.
Manuel Alegre, O Canto e as Armas
Na Universidade de Coimbra, os anos sessenta, em plena
ditadura, ficaram marcados pela contestação ao regime. Era principalmente
através dos poetas que se chegava aos menos politizados alertando-os para as injustiças, ao mesmo tempo que se mostrava um caminho de esperança.
José Afonso e Adriano Correia de Oliveira traziam-nos
a palavra dos poetas com música, a que melhor atinge o coração dos homens, mas
havia livros que nos tocavam de modo muito especial porque refletiam o nosso
tempo. Era o caso da Praça da Canção e de O Canto e as Armas, ambos
de Manuel Alegre.
O poema que envio pertence ao último livro. Fala-nos
do poder da palavra e é dedicado a Luís de Camões.
LUÍS DE CAMÕES
Tinha uma flauta.
Não tinha mais nada mas tinha uma flauta
tinha um órgão no sangue uma fonte de música
tinha uma flauta.
Os outros armavam-se mas ele não:
tinha uma flauta.
Os outros jogavam perdiam ganhavam
tinham Madrid e tinham Lisboa
tinham escravos na Índia mas ele não:
tinha uma flauta.
Tinham navios tinham soldados
tinham palácios e tinham forcas
tinham igrejas e tribunais
mas ele não:
tinha uma flauta.
Só ele Príncipe.
Dormiam rainhas na cama do rei
princesas esperavam no belvedere
Ele tinha uma escrava que morreu no mar.
Morreram escravas as rainhas
morreram escravas as princesas
nenhuma teve o seu rei
para nenhuma chegou o Príncipe.
Por isso a única rainha
foi aquela escrava que morreu no mar:
só ela teve
o que tinha uma flauta.
Morreram os reis que tinham impérios
morreram os príncipes que tinham castelos
mas ele não:
tinha uma flauta.
De fora vieram reis
vieram armas de fora
os príncipes entregaram armas
ficou sem armas o povo.
As armas de fora venceram
todas as armas de dentro.
Só não venceram o que não tinha armas:
tinha uma flauta.
E as vozes de fora mandaram
calar as vozes de dentro.
Só não puderam calar aquela flauta.
Vieram juízes e cadeias.
Mas a flauta cantava.
Passaram por todas as fronteiras.
Só não puderam passar
pela fronteira
daquela flauta.
E quando tudo se perdeu
ficou a arma do que não tinha armas:
tinha uma flauta.
Ficou uma flauta que cantava.
E era uma Pátria.
Manuel Alegre, O Canto e as Armas
quinta-feira, 26 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… Conceição Ribeiro
Deu-nos Abril
o gesto e a palavra
fala de nós
por dentro da raiz
Mulheres
quebrámos as grandes barricadas
dizendo igualdade
a quem ouvir nos quis
E assim continuamos de mãos dadas
O povo somos
mulheres do meu país.
Maria Teresa Horta
Deu-nos Abril
o gesto e a palavra
fala de nós
por dentro da raiz
Mulheres
quebrámos as grandes barricadas
dizendo igualdade
a quem ouvir nos quis
E assim continuamos de mãos dadas
O povo somos
mulheres do meu país.
Maria Teresa Horta
quarta-feira, 25 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... A Páginas Tantas
25 DE ABRIL
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen in O Nome das Coisas
terça-feira, 24 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... António Vasconcelos Raposo
MAR SONORO
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu Suponho
Seres um milagre criado só para mim.
MAR SONORO
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu Suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen in Dia do Mar
segunda-feira, 23 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… A PÁGINAS TANTAS
Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais,
tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.
Eugénio de Andrade, in Ofício de Paciência
domingo, 22 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de…. Miguel
Machado
ESCUTO MAS NÃO SEI
Escuto mas não sei
Se o que oiço é
silêncioOu deus
Escuto sem saber se
estou ouvindo
O ressoar das
planícies no vazioOu a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que
caminho como quem
É olhado e amado e
conhecidoE por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, 21 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… Bruna Gaspar (7ºF)
BONS AMIGOS
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Machado de Assis
BONS AMIGOS
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Machado de Assis
sexta-feira, 20 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… Amélia Wolstenholme (12ºB)
OS AMANTES SEM DINHEIRO
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro.
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade, in Os Amantes sem Dinheiro
OS AMANTES SEM DINHEIRO
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro.
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade, in Os Amantes sem Dinheiro
quinta-feira, 19 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… Lúcia Marques
AS PALAVRAS
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade, in Coração do dia
AS PALAVRAS
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade, in Coração do dia
quarta-feira, 18 de abril de 2012
170.º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE ANTERO DE QUENTAL

Sem querer quebrar a cadeia, assinalo os 170 anos do nascimento de um dos maiores poetas portugueses. Com um soneto seu, claro.
Evolução
Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
Tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
Antero de Quental, Sonetos
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… Gilda Rosa
UMA PEQUENINA LUZ
Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una piccola... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não: brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha.
Jorge de Sena
UMA PEQUENINA LUZ
Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una piccola... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não: brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha.
Jorge de Sena
terça-feira, 17 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… Raquel Leal (12ºB)
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
segunda-feira, 16 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… João Pedro Secca
PARA SER GRANDE
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Ricardo Reis in Odes De Ricardo Reis
PARA SER GRANDE
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Ricardo Reis in Odes De Ricardo Reis
domingo, 15 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de … Teresa Palhares
FELICIDADE
Pela flor pelo vento pelo fogo
Pela estrela da noite tão límpida e serena
Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo
Pelo amor sem ironia – por tudo
Que atentamente esperamos
Reconheci tua presença incerta
Tua presença fantástica e liberta
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto
FELICIDADE
Pela flor pelo vento pelo fogo
Pela estrela da noite tão límpida e serena
Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo
Pelo amor sem ironia – por tudo
Que atentamente esperamos
Reconheci tua presença incerta
Tua presença fantástica e liberta
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto
sábado, 14 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de… Fátima Madaleno
Somos folhas breves onde dormem
aves de sombra e solidão.
Somos só folhas e o seu rumor.
Inseguros, incapazes de ser flor,
até a brisa nos perturba e faz tremer.
Por isso a cada gesto que fazemos
Cada ave se transforma noutro ser.
Eugénio de Andrade
Somos folhas breves onde dormem
aves de sombra e solidão.
Somos só folhas e o seu rumor.
Inseguros, incapazes de ser flor,
até a brisa nos perturba e faz tremer.
Por isso a cada gesto que fazemos
Cada ave se transforma noutro ser.
Eugénio de Andrade
sexta-feira, 13 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Teresa Gomes
NO TEU POEMA
No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema
existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um canto-chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.
José Luís Tinoco
NO TEU POEMA
No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema
existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um canto-chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.
José Luís Tinoco
quinta-feira, 12 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Sara Oliveira
Amigo
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra «amigo»!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill, in No Reino da Dinamarca
Amigo
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra «amigo»!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill, in No Reino da Dinamarca
quarta-feira, 11 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Maria João Santos
POEMA DA DESPEDIDA
Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo
Mia Couto
POEMA DA DESPEDIDA
Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo
Mia Couto
terça-feira, 10 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Adelaide Pereira
URGENTEMENTE
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
URGENTEMENTE
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, 9 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de ... Clara Anunciação
ÁRVORES DO ALENTEJO
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Florbela Espanca
ÁRVORES DO ALENTEJO
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Florbela Espanca
domingo, 8 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de ... Paula Varela
INFÂNCIA
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu...Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou o mosquito.
E dava um suspiro...que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Carlos Drummond de Andrade
INFÂNCIA
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu...Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou o mosquito.
E dava um suspiro...que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 7 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA

A escolha de… A PÁGINAS TANTAS
No 119º aniversário do nascimento de José de Almada Negreiros
ACONTECEU-ME
Eu vinha de comprar fósforos
e uns olhos de mulher feita
olhos de menos idade que a sua
não deixavam acender-me o cigarro.
Eu era eureka para aqueles olhos.
Entre mim e ela passava gente como se não passasse
e ela não podia ficar parada
nem eu vê-la sumir-se.
Retive a sua silhueta
para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado
E eu tenho visto olhos !
Mas nenhuns que me vissem
nenhuns para quem eu fosse um achado existir
para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia
olhos como agulhas de despertar
como íman de atrair-me vivo
olhos para mim!
Quando havia mais luz
a luz tornava-me quase real o seu corpo
e apagavam-se-me os seus olhos
o mistério suspenso por um cabelo
pelo hábito deste real injusto
tinha de pôr mais distância entre ela e mim
para acender outra vez aqueles olhos
que talvez não fossem como eu os vi
e ainda que o não fossem, que importa?
Vi o mistério!
Obrigado a ti mulher que não conheço.
Almada Negreiros
sexta-feira, 6 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Adília Ramos
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, 5 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Suzete Monteiro
IMPRESSÃO DIGITAL
Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não veem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns veem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns veem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!
António Gedeão, in Movimento Perpétuo
IMPRESSÃO DIGITAL
Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não veem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns veem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns veem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!
António Gedeão, in Movimento Perpétuo
quarta-feira, 4 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Conceição Pereira
Ao longe os montes têm neve ao sol,
Mas é suave já o frio calmo
Que alisa e agudece
Os dardos do sol alto.
Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
Não esperamos nada
E temos frio ao sol.
Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
E aguardando a morte
Como quem a conhece.
Ricardo Reis
Ao longe os montes têm neve ao sol,
Mas é suave já o frio calmo
Que alisa e agudece
Os dardos do sol alto.
Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
Não esperamos nada
E temos frio ao sol.
Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
E aguardando a morte
Como quem a conhece.
Ricardo Reis
terça-feira, 3 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de...Cristina Nunes
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa
segunda-feira, 2 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de...Sarah Musgrave
O Teu Riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que não muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, na hora
mais obscura desfia
o teu riso, e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
curvas da ilha,
ri-te deste rapaz
desajeitado que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.
Pablo Neruda, in Poemas de Amor
O Teu Riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que não muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, na hora
mais obscura desfia
o teu riso, e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
curvas da ilha,
ri-te deste rapaz
desajeitado que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.
Pablo Neruda, in Poemas de Amor
domingo, 1 de abril de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Carlos Guerreiro
PEDRA FILOSOFAL
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão, in Movimento Perpétuo
PEDRA FILOSOFAL
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão, in Movimento Perpétuo
sábado, 31 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Maria João Cortegaça
O SILENCIO É DOS PÁSSAROS
Os que não têm pão
da vida inesgotável
cantam silencio em prata noturna
prata secreta da noite
vaga e fútil
das quimeras amorosas na noite
Na noite das pratas
Das pratas roubadas ao senhor mais rico
Na vida dos pássaros
na fuga da vida falhada aos gritos
um grito na altura
no espaço
entre a morte
e o último vagão da vida
Da vida dos pássaros
numa sombra que nunca se deixa apanhar
Na luz que nunca se deixa pintar
nem apagar mesmo no espelho
que te abraçou na tormenta
construída pelo lar fora
pelo lar fora dos pássaros
O fora do risco que escapou ao vento
e no picar nervoso do pássaro mais rico
Um dos pássaros mais ricos
e os dois mil voltes dum fio
que pareceu em instantes
o risco entre o vento
e o picar nervoso do pássaro mais rico
Nem o homem nem o diabo
nem a mulher
nem a labareda
Mas o fogo todo inteiro
a possibilidade inteira do fogo
a mão de fogo constante
inalteravelmente vermelho
irremediavelmente preso de amor aos dedos
sensualmente delicado em seus arabescos de morte
No céu mais mudo do silêncio
sumir em chamas
para os pássaros tudo o que antes
fôra a fuga entre a vida dos pássaros
No risco mais fino do silêncio
entre o palpitar do mundo
e a vida dos pássaros
arder muito simplesmente
em franca esperança
na dada medida do desejo-de-dentro
o dentro do fogo branco
o fogo-branco-desejo
arder na vida dos pássaros
arder em penas a cair do vento
no risco mais fino do silêncio
entre o palpitar do desejo
e o silêncio que pertence aos pássaros
Fernando Lemos in Teclado Universal
O SILENCIO É DOS PÁSSAROS
Os que não têm pão
da vida inesgotável
cantam silencio em prata noturna
prata secreta da noite
vaga e fútil
das quimeras amorosas na noite
Na noite das pratas
Das pratas roubadas ao senhor mais rico
Na vida dos pássaros
na fuga da vida falhada aos gritos
um grito na altura
no espaço
entre a morte
e o último vagão da vida
Da vida dos pássaros
numa sombra que nunca se deixa apanhar
Na luz que nunca se deixa pintar
nem apagar mesmo no espelho
que te abraçou na tormenta
construída pelo lar fora
pelo lar fora dos pássaros
O fora do risco que escapou ao vento
e no picar nervoso do pássaro mais rico
Um dos pássaros mais ricos
e os dois mil voltes dum fio
que pareceu em instantes
o risco entre o vento
e o picar nervoso do pássaro mais rico
Nem o homem nem o diabo
nem a mulher
nem a labareda
Mas o fogo todo inteiro
a possibilidade inteira do fogo
a mão de fogo constante
inalteravelmente vermelho
irremediavelmente preso de amor aos dedos
sensualmente delicado em seus arabescos de morte
No céu mais mudo do silêncio
sumir em chamas
para os pássaros tudo o que antes
fôra a fuga entre a vida dos pássaros
No risco mais fino do silêncio
entre o palpitar do mundo
e a vida dos pássaros
arder muito simplesmente
em franca esperança
na dada medida do desejo-de-dentro
o dentro do fogo branco
o fogo-branco-desejo
arder na vida dos pássaros
arder em penas a cair do vento
no risco mais fino do silêncio
entre o palpitar do desejo
e o silêncio que pertence aos pássaros
Fernando Lemos in Teclado Universal
sexta-feira, 30 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de...Adélia Simas
De onde eu venho
sou visitada pelas águas ao meio-dia
quando o silêncio se transforma
para as doces palavras do sal em flor
e das raparigas
Os muros são de pedra seca
e deixam escapar a luz por entre corredores
de raízes e vidro
lentas mulheres preparam a farinha
e cada gesto funda
o mundo todos os dias
há velhas mulheres pousadas sobre a tarde
enquanto a palavra
salta o muro e volta com um sorriso tímido
de dentes e sol.
Ana Paula Tavares, in O Lago da Lua
De onde eu venho
sou visitada pelas águas ao meio-dia
quando o silêncio se transforma
para as doces palavras do sal em flor
e das raparigas
Os muros são de pedra seca
e deixam escapar a luz por entre corredores
de raízes e vidro
lentas mulheres preparam a farinha
e cada gesto funda
o mundo todos os dias
há velhas mulheres pousadas sobre a tarde
enquanto a palavra
salta o muro e volta com um sorriso tímido
de dentes e sol.
Ana Paula Tavares, in O Lago da Lua
quinta-feira, 29 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de...Maria Machado
O movimento
Porque a coisa podia encontrar-se parada
como uma caixa.
Haveria a superfície, o rosto mais belo ou velhaco,
o sorriso, a ironia, e os ofícios.
E lá dentro, escondido: osso, vísceras e sensações;
tudo quieto e pasmado, a admirar o cinema exterior.
Porque a coisa podia encontrar-se parada
como uma caixa;
mas não.
E (é) este facto (que) complica os vivos
Gonçalo M. Tavares, in Poética do Corpo
O movimento
Porque a coisa podia encontrar-se parada
como uma caixa.
Haveria a superfície, o rosto mais belo ou velhaco,
o sorriso, a ironia, e os ofícios.
E lá dentro, escondido: osso, vísceras e sensações;
tudo quieto e pasmado, a admirar o cinema exterior.
Porque a coisa podia encontrar-se parada
como uma caixa;
mas não.
E (é) este facto (que) complica os vivos
Gonçalo M. Tavares, in Poética do Corpo
quarta-feira, 28 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de ... Margarida Santos
Ser Doido-Alegre, que Maior Ventura!
Ser doido alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo pr’além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!
Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola a falsa caridade,
Que bom, no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.
Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem...
De ver no purgatório um paraíso...
Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.
António Aleixo, in Este livro que vos Deixo
Ser Doido-Alegre, que Maior Ventura!
Ser doido alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo pr’além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!
Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola a falsa caridade,
Que bom, no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.
Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem...
De ver no purgatório um paraíso...
Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.
António Aleixo, in Este livro que vos Deixo
terça-feira, 27 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Paula Fonseca
Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...
A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.
Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.
E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
- onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
José Gomes Ferreira, Poesia III
Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...
A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.
Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.
E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
- onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
José Gomes Ferreira, Poesia III
segunda-feira, 26 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... José Pedro Gonçalves
DATA
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto
DATA
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto
domingo, 25 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Rosa Costa
Faz-se luz
Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas do próprio seio dela
Intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objetos
os objetos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca
Mário Cesariny, Pena Capital
Faz-se luz
Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas do próprio seio dela
Intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objetos
os objetos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca
Mário Cesariny, Pena Capital
sábado, 24 de março de 2012
O DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... José Pacheco
DA SOLIDÃO
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior
solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que
se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si
mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a
quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade,
de socorro. O maior solitário é o que tem medo de
amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser
casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.
Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo
entristece também tudo em torno. Ele é a angústia
do mundo que o reflecte. Ele é o que se recusa
às verdadeiras fontes da emoção, as que são o
património de todos, e, encerrado em seu duro
privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e
desolada torre.
Vinícius de Moraes, Para Viver um Grande Amor
DA SOLIDÃO
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior
solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que
se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si
mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a
quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade,
de socorro. O maior solitário é o que tem medo de
amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser
casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.
Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo
entristece também tudo em torno. Ele é a angústia
do mundo que o reflecte. Ele é o que se recusa
às verdadeiras fontes da emoção, as que são o
património de todos, e, encerrado em seu duro
privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e
desolada torre.
Vinícius de Moraes, Para Viver um Grande Amor
sexta-feira, 23 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
A escolha de... Luísa Fragoso
Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos
Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos
quinta-feira, 22 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
É bonito, haver um dia dedicado à celebração da poesia. Também a data foi uma escolha feliz, nesta época, metáfora para todos os começos.
Celebremos, pois, o dia.
Vamos fazê-lo, porém, dando ouvidos aos que “são contra os dias”, estes dias (da Criança, da Mulher, da Música, dos Direitos Humanos…), por os acharem sinal de desprezo pelo que comemoram, ou pelo menos de alguma fragilidade do que está a ser comemorado, nos restantes trezentos e tal dias do ano.
A solução impõe-se e só pode ser a de lembrarmos todos os dias este dia, ATÉ DE HOJE A UM ANO, com a publicação de um novo poema, escolhido por alunos, professores, funcionários, pais.
No final, teremos a Primeira Antologia Poética da ESPJAL.
A equipa da Biblioteca / projecto aLer+ tem o privilégio de começar, com
A escolha de … professora Ana Páscoa
Antes que Seja Tarde
Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.
Manuel da Fonseca, in Poemas Dispersos
quinta-feira, 1 de março de 2012
NUNO MARKL FALA SOBRE OS CONTOS DE GIN TÓNICO
http://www.youtube.com/watch?v=JwB8_lZ2y94
É só "clicar" neste endereço para se ver/ouvir uma entrevista imperdível a Nuno Markl sobre o genial Mário-Henrique Leiria.
É só "clicar" neste endereço para se ver/ouvir uma entrevista imperdível a Nuno Markl sobre o genial Mário-Henrique Leiria.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
DAVID MARÇAL, O COMEDIANTE CIENTÍFICO
David Marçal, que tinha sido, há já algum tempo, convidado a visitar-nos, conseguiu finalmente estar presente na Biblioteca, diante de uma assistência numerosa, risonha e atenta, para, simultaneamente:
a) recordar-nos o seu percurso, desde o saudoso tempo em que foi aluno nesta escola (à roda de 1995),
b) falar da sua pós-graduação na área de "comunicação do saber científico", de que o brilhante Carl Sagan foi um pioneiro [e se tem revelado a forma certa de conjugar os interesses e conhecimentos científicos de David Marçal e o seu talento para a escrita],
c) referir a importância do sentido de humor na divulgação da ciência: David Marçal trabalhou para o suplemento satírico "Inimigo Público" e é o criador de um delirante projecto de cientistas que se dedicam à Stand-up comedy, o "Cientistas em Pé",
d) apresentar-nos o seu livro, "Darwin aos Tiros", que é um extraordinário exemplo da arte de cativar, falando sobre episódios da História da Ciência de uma forma absolutamente impagável.
E foi precisamente o que sucedeu ao longo da sessão: o exercício de saber e bom humor que consistiu em mostrar-nos o lado mais humano da ciência, trazida até mesmo ao pé de nós, desentalada de um pedestal onde os leigos a vêem, quase sempre, respeitosa e longinquamente.
Como dizia a Paula Fonseca, encantada, o David foi a prova viva de que se pode ser um cientista, um comediante nato e talentoso e um jovem bonito, tudo ao mesmo tempo. (Não é o meu caso, claro, porque não sou cientista...)
a) recordar-nos o seu percurso, desde o saudoso tempo em que foi aluno nesta escola (à roda de 1995),
b) falar da sua pós-graduação na área de "comunicação do saber científico", de que o brilhante Carl Sagan foi um pioneiro [e se tem revelado a forma certa de conjugar os interesses e conhecimentos científicos de David Marçal e o seu talento para a escrita],
c) referir a importância do sentido de humor na divulgação da ciência: David Marçal trabalhou para o suplemento satírico "Inimigo Público" e é o criador de um delirante projecto de cientistas que se dedicam à Stand-up comedy, o "Cientistas em Pé",
d) apresentar-nos o seu livro, "Darwin aos Tiros", que é um extraordinário exemplo da arte de cativar, falando sobre episódios da História da Ciência de uma forma absolutamente impagável.
E foi precisamente o que sucedeu ao longo da sessão: o exercício de saber e bom humor que consistiu em mostrar-nos o lado mais humano da ciência, trazida até mesmo ao pé de nós, desentalada de um pedestal onde os leigos a vêem, quase sempre, respeitosa e longinquamente.
Como dizia a Paula Fonseca, encantada, o David foi a prova viva de que se pode ser um cientista, um comediante nato e talentoso e um jovem bonito, tudo ao mesmo tempo. (Não é o meu caso, claro, porque não sou cientista...)
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
PORQUÊ LER OS CLÁSSICOS
- O que veem?
- Uma casa, não sei se é... parece.
_ Por acaso, parece!
_ De que material é feito?
- De óleo.
- E de que época será esta pintura?
- Da época medieval.
- Não, é mais aintiga, eles ainda não sabiam pintar!
Assim, num vivíssimo diálogo a muitas vozes, sem silêncios, mas também sem atropelos, o 8ºD foi comentando as imagens mostradas pela professora Ana Cristina Marques, selecionadas da vastíssima iconografia da figura de D. Quixote de la Mancha.
Começando pelos contemporâneos, os tais que ainda não sabiam pintar - equívoco prontamente esclarecido e ótimo pretexto para dar algumas noções sobre a pintura não figurativa - e recuando até ao século XVIII, diversas representações do cavaleiro, primeiro mantido anónimo, foram sendo vistas e apreciadas pela assistência.
Não tardou a ser identificado, dando a deixa para a fase seguinte da conversa, agora sobre a história e significado da famosa personagem: os professores José António Pacheco e Adélia Simas conduziram a reflexão, acrescentando novos elementos e situando na sua época o grande clássico da literatura universal, de mistura com a leitura de excertos ilustrativos, e a projeção de uma cena do musical com Peter O'Toole, trazido pela professora Suzete Monteiro.
Na última parte, saltou a pergunta, confirmação inequívoca do interesse e envolvimento dos assistentes. A hora era mesmo de questionar, não apenas de escutar:
- Porque é que fizeram um livro sobre um homem que nem sequer era cavaleiro e que não regulava lá muito bem?
Duas das sugestões de resposta:
- Porque se calhar era cómico!
- Com certeza havia uma mensagem - vive os teus sonhos, nem sempre o que nós achamos que é fantasia é mesmo fantasia.
- Uma casa, não sei se é... parece.
_ Por acaso, parece!
_ De que material é feito?
- De óleo.
- E de que época será esta pintura?
- Da época medieval.
- Não, é mais aintiga, eles ainda não sabiam pintar!
Assim, num vivíssimo diálogo a muitas vozes, sem silêncios, mas também sem atropelos, o 8ºD foi comentando as imagens mostradas pela professora Ana Cristina Marques, selecionadas da vastíssima iconografia da figura de D. Quixote de la Mancha.
Começando pelos contemporâneos, os tais que ainda não sabiam pintar - equívoco prontamente esclarecido e ótimo pretexto para dar algumas noções sobre a pintura não figurativa - e recuando até ao século XVIII, diversas representações do cavaleiro, primeiro mantido anónimo, foram sendo vistas e apreciadas pela assistência.
Não tardou a ser identificado, dando a deixa para a fase seguinte da conversa, agora sobre a história e significado da famosa personagem: os professores José António Pacheco e Adélia Simas conduziram a reflexão, acrescentando novos elementos e situando na sua época o grande clássico da literatura universal, de mistura com a leitura de excertos ilustrativos, e a projeção de uma cena do musical com Peter O'Toole, trazido pela professora Suzete Monteiro.
Na última parte, saltou a pergunta, confirmação inequívoca do interesse e envolvimento dos assistentes. A hora era mesmo de questionar, não apenas de escutar:
- Porque é que fizeram um livro sobre um homem que nem sequer era cavaleiro e que não regulava lá muito bem?
Duas das sugestões de resposta:
- Porque se calhar era cómico!
- Com certeza havia uma mensagem - vive os teus sonhos, nem sempre o que nós achamos que é fantasia é mesmo fantasia.
sábado, 14 de janeiro de 2012
VIAGEM AO ORIENTE
As turmas participantes nas sessões com a autora do livro LUIS FRÓIS, UM PORTUGUÊS NO JAPÃO (ver aLer+) foram convidadas a fazer a sua apreciação, que a professora Adélia Simas selecionou e nos fez chegar.
Opiniões do 8ºB
«Eu gostei muito da apresentação…fiquei a saber várias coisas como por exemplo… gostei também da apresentação da colega… fiquei curioso para ler o livro…»
Pedro Ferreira
»Foi importante aprender um pouco mais da história…a escritora era muito simpática…foi muito importante saber como era o Japão.»
Ylamara
«Eu gostei bastante da apresentação e da autora… achei muito interessante pois é um livro que nos dá mais informação da matéria que estamos a tratar na disciplina de História… foi um bocado muito bem passado»
Mayara
«Eu achei o livro muito interessante porque aprendi novas coisas…no final foi uma colega nossa do 9ºano cá da escola que estuda japonês e ensinou-nos algumas coisas interessantes…eu gostei muito da sessão porque como toda a gente estava interessada estava um bom ambiente»
Gonçalo Graciano
«Eu gostei muito do livro. Obrigada»
Jacira
«A apresentação foi muito bem estruturada e muito clara… toda a gente estava com atenção… Eu achei esta actividade bastante interessante! Eu agradeço muito a vinda dessa autora à nossa escola».
Matilde
«Eu achei esta apresentação muito interessante e produtiva… aprendi algo interessante e novo»
Maria
«Achei que esta apresentação correu muito bem porque fiquei a saber mais sobre a forma como os portugueses encontraram o Japão»
Rita
«Gostei bastante da sessão, acho que foi bastante interessante… o lugar foi fantástico para o que aconteceu, a biblioteca é um espaço espectacular e silencioso portanto deu para estarmos sossegados e bem comportados durante a sessão… foi um dia diferente…»
Tiago
«A caminho da sessão eu esperava que fosse daqueles sessões um pouco cansativas e que passado meia hora já estaria a turma toda a falar mas, pelo contrário, a turma esteve sempre atenta e eu achei a sessão muito importante não só por ser um tema que estamos a dar na disciplina de História… mas também porque fazia querer sempre saber mais…»
Diogo Santos
«Gostei bastante da apresentação… gostei de saber que… Também gostei imenso da intervenção da colega…»
Ricardo
«Eu gostei pois aprendemos coisas novas de uma maneira divertida e acho que correu bem pois na minha opinião a turma esteve atenta e calada»
Cátia
«…O ambiente na biblioteca era silencioso e calmo…Gostei muito daquele bocado de tempo porque aprendi muito e fiquei interessada em ler o livro!»
Filipa
«… foi uma sessão com interesse e com condições calmas e agradáveis de trabalho»
Pedro Ho
«…Na minha opinião o livro deve ser bastante interessante, porque retrata a época em que Portugal teve mais influência …»
David
«…fiquei a saber muitas coisas com a apresentação… foi interessante sem ser maçadora»
Simão
«Eu com esta apresentação aprendi muita coisa…Gostei muito de ouvir a autora… despertou-me curiosidade… Nunca tinha visto a minha turma tão calada e a participar correctamente e a mostrar tanto interesse… Eu gostei muito e gostava de repetir»
Diogo Gomes
«Para mim a actividade foi interessante, aprendi mais coisas do que estava à espera…»
Beatriz
«Eu acho que foi muito educativo porque para além de termos conhecido um livro novo muito interessante, também aprendemos mais sobre a expansão portuguesa… Com esta apresentação eu fiquei com interesse para ler o livro…»
Mafalda
«Gostei muito de ter assistido porque aprendi coisas novas e acho que correu bem porque também houve participação do nosso lado, fazendo perguntas às quais a escritora Ana Paula Miranda nos respondeu.»
Sofia
«O livro pareceu-me muito interessante e fiquei com curiosidade de o ler … O local escolhido para a apresentação foi a biblioteca, penso que foi bem escolhido porque estava silêncio… acho que devíamos repetir coisas deste género, que nos revelam interesse e nos façam aprender»
«…Gonçalo Uva
«A língua e a cultura japonesa sempre me fascinaram, mas depois desta apresentação a chama ficou mais forte. A apresentação foi muito boa e gostaria de agradecer às pessoas envolvidas, especialmente à autora»
«EuHugo Simão
«Acho que a apresentação correu bem e eu gostei porque o livro era interessante e a forma como a autora o apresentou também foi. Eu gostei da sessão e aprendi algumas coisas, acho que a autora foi simpática em ter vindo até à nossa escola…»
Nuno
«Eu gostei muito da apresentação… achei uma boa ideia a autora vir cá à nossa escola.»
Mariana
«…foi interessante pois enquadrava-se na matéria… o tema era interessante»
Pedro Simão
«Achei que foi interessante e que a autora brincou um bocadinho com a história, o que tornou a sessão mais animada…Despertou-me curiosidade para a língua japonesa…»
Carolina
«Eu gostei da sessão porque deu a conhecer a cultura japonesa… gostei também muito da autora… a sessão teve uma parte muito gira porque foi lá uma aluna que andava a estudar japonês… Com esta apresentação fiquei cativado para ler o livro porque os portugueses no Japão é um tema muito interessante.»
Gustavo
«…gostei muito, aprendi bastantes coisas que não sabia e foi uma aula diferente, também tive a oportunidade de conhecer a autora que é muito simpática e a possibilidade de uma colega do 9º ano falar um pouco da língua japonesa. O livro parece ser bastante interessante e fiquei com vontade de o ler…»
Pedro Alves
Opiniões do 8ºD
«Gostei bastante da apresentação da autora … vou certamente à biblioteca para requesitar o livro.»
Matyas
«A autora explicou bem as diferenças entre portugueses e japoneses, o que foi bstante interessante… A ida à biblioteca, para ouvir falar do livro, para mim foi interessante e correu bem.»
Catarina
«Eu gostei desta sessão porque pensei que iria ser um bocado aborrecida, mas depois a autora do livro era muito simpática e explicava muito bem as coisas… gostei também quando apareceu aquela miúda a falar japonês… fiquei muito surpreendida e gostei muito.»
Ivo
«Eu gostei do livro porque explica a importância dos descobrimentos…»
Valentyn
«Foi uma ótima apresentação…Foi clara, resumida, interessante e uma forma diferente de aprender. Despertou em mim não só a curiosidade de ler o livro, como também a vontade de aprofundar um pouco sobre os costumes do Japão… Gostei bastante da apresentação… todos colaboraram e participaram… No fim conclui que por vezes o que parece chato ou mau não é.»
Miguel
«A autora deste livro apresentou a ‘magia´ que o livro continha …Eu gostei imenso mas por agora não o posso ler pois tenho um para terminar.»
Mariana
«…foi impressionante o que a autora tinha para contar… eu gostei muito da apresentação e a biblioteca da escola foi o sítio ideal para o fazer… Depois da apresentação do livro surgiu-me o interesse de começar a leitura da PEREGRINAÇÃO de Fernão Mendes Pinto»
Manuel
«Gostei não só da apresentação como do local onde foi realizado, a biblioteca acho que é o sítio ideal para estar em convívio com o autor e os livros.»
Alexandra
«Eu achei a sessão agradável, tivemos um bom comportamento. Fizeram algumas perguntas e falaram de coisas importantes…»
Rodrigo
«Foi uma boa apresentação em que as dúvidas ficaram esclarecidas…A autora fez uma ótima apresentação… a turma conseguiu participar correctamente.»
Inês Marques
«A autora ao estar a dizer que os japoneses levam muito a sério e com agrado a nossa visita ao Japão, eu senti-me orgulhoso e curioso de conhecer um japonês… Eu gostei muito da apresentação.»
Pedro Diogo
«Acho que escolheram bem o sítio para a apresentação, numa sala qualquer não ía ter o mesmo interesse porque a biblioteca dá uma certa magia e é muito melhor… acho que vou ler o livro porque posso ficar a saber muitas outras coisas e também porque fiquei muito curiosa para saber o resto da história…»
Natharry
«Gostei muito da apresentação em si, a turma teve um comportamento exemplar e a autora criou um ambiente fantástico, revelando factos muito interessantes…Também apreciei e agradeço à nossa colega que teve a amabilidade de nos dizer umas palavras em japonês.»
Carolina Barrosa
«Eu gostei da visita à biblioteca, acho que foi agradável e que foi interessante para aumentar os nossos conhecimentos… Gostei muito e gostaria de repetir.»
Inês Correia
«Achei a sessão interessante e elucidativa. Muitas curiosidades engraçadas e palavras japonesas muito parecidas com as portuguesa… Foi muito giro… Não arranjei ainda o livro porque estou a ler outro, mas quando acabar vou ter o prazer de o ler…»
Laura
«Eu gostei bastante da apresentação… Foi divertida e bastante interessante… Acho que se deve continuar a apresentar livros na biblioteca pois é um espaço dedicado à leitura.. Gostei muito daquela pequena explicação sobre a língua japonesa feita pela aluna do 9º ano…»
João Pedro
« ...eu gostei muito da forma como a autora apresentou o seu livro com uma linguagem concisa que deu para perceber muito bem…»
Gelson
«Eu achei a sessão… muito interessante e a apresentação muito agradável. Nunca tinha estado ao pé de uma autora de um livro e gostei muito… é um livro cativante…Achei muito interessante… Acho também que aprendemos muito…»
Joana
«…A autora deu-nos a conhecer o livro e contextualizou a matéria do livro. A sessão correu muito bem para os dois lados, a escritora falou muito bem, mostrando confiança e interesse… o 8ºD portou-se muito bem, participou exemplarmente e deu uma boa imagem da escola. Eu achei enriquecedora a sessão…»
Rafael
«Fiquei muito interessada no livro, perguntei a uma das professoras que lá estava se havia aquele livro disponível na biblioteca da escola e ela disse que sim, mas como já tenho um livro requisitado, tenho primeiro de o acabar.. A apresentação foi também uma aula, muito interessante. O livro parece ser bom, estou entusiasmada para o ler.»
Ana Karla
«A sessão foi muito boa porque todos se portaram bem…»
Daniel
«…a apresentação do livro ajudou-nos a perceber ainda melhor a matéria…Eu gostava de ter mais tempo em casa para poder ler o livro, antes eu ía para a cama e como não tinha sono lia, mas agora já chego à cama e adormeço logo, tenho pena de não ler o livro porque parece ser um excelente livro… Eu gostei bastante da apresentação.»
Tiago Nery
«O início foi muito bom porque quando entrámos na biblioteca estava um ambiente estranho, com música oriental… Era um livro muito interessante porque falava dos primeiros portugueses a ir ao Japão… Gostei muito desta sessão. Podíamos ter mais aulas de história assim!»
Pedro Gonçalves
«Eu gostei do livro e acho que vou requisitá-lo à biblioteca porque me suscitou um bocadinho de curiosidade.»
Ede
«Para ser sincero antes de entrar na sessão não estava nada contente mas depois com o decorrer da mesma fiquei interessado. Aprendi… Eu gostei da sessão e do conteúdo que aprendi…»
Ricardo
«…Acho que foi uma apresentação muito boa…Fiquei com interesse de ler o livro e perceber mais sobre a viagem ao Japão.»
Gonçalo
Opiniões do 8ºB
«Eu gostei muito da apresentação…fiquei a saber várias coisas como por exemplo… gostei também da apresentação da colega… fiquei curioso para ler o livro…»
Pedro Ferreira
»Foi importante aprender um pouco mais da história…a escritora era muito simpática…foi muito importante saber como era o Japão.»
Ylamara
«Eu gostei bastante da apresentação e da autora… achei muito interessante pois é um livro que nos dá mais informação da matéria que estamos a tratar na disciplina de História… foi um bocado muito bem passado»
Mayara
«Eu achei o livro muito interessante porque aprendi novas coisas…no final foi uma colega nossa do 9ºano cá da escola que estuda japonês e ensinou-nos algumas coisas interessantes…eu gostei muito da sessão porque como toda a gente estava interessada estava um bom ambiente»
Gonçalo Graciano
«Eu gostei muito do livro. Obrigada»
Jacira
«A apresentação foi muito bem estruturada e muito clara… toda a gente estava com atenção… Eu achei esta actividade bastante interessante! Eu agradeço muito a vinda dessa autora à nossa escola».
Matilde
«Eu achei esta apresentação muito interessante e produtiva… aprendi algo interessante e novo»
Maria
«Achei que esta apresentação correu muito bem porque fiquei a saber mais sobre a forma como os portugueses encontraram o Japão»
Rita
«Gostei bastante da sessão, acho que foi bastante interessante… o lugar foi fantástico para o que aconteceu, a biblioteca é um espaço espectacular e silencioso portanto deu para estarmos sossegados e bem comportados durante a sessão… foi um dia diferente…»
Tiago
«A caminho da sessão eu esperava que fosse daqueles sessões um pouco cansativas e que passado meia hora já estaria a turma toda a falar mas, pelo contrário, a turma esteve sempre atenta e eu achei a sessão muito importante não só por ser um tema que estamos a dar na disciplina de História… mas também porque fazia querer sempre saber mais…»
Diogo Santos
«Gostei bastante da apresentação… gostei de saber que… Também gostei imenso da intervenção da colega…»
Ricardo
«Eu gostei pois aprendemos coisas novas de uma maneira divertida e acho que correu bem pois na minha opinião a turma esteve atenta e calada»
Cátia
«…O ambiente na biblioteca era silencioso e calmo…Gostei muito daquele bocado de tempo porque aprendi muito e fiquei interessada em ler o livro!»
Filipa
«… foi uma sessão com interesse e com condições calmas e agradáveis de trabalho»
Pedro Ho
«…Na minha opinião o livro deve ser bastante interessante, porque retrata a época em que Portugal teve mais influência …»
David
«…fiquei a saber muitas coisas com a apresentação… foi interessante sem ser maçadora»
Simão
«Eu com esta apresentação aprendi muita coisa…Gostei muito de ouvir a autora… despertou-me curiosidade… Nunca tinha visto a minha turma tão calada e a participar correctamente e a mostrar tanto interesse… Eu gostei muito e gostava de repetir»
Diogo Gomes
«Para mim a actividade foi interessante, aprendi mais coisas do que estava à espera…»
Beatriz
«Eu acho que foi muito educativo porque para além de termos conhecido um livro novo muito interessante, também aprendemos mais sobre a expansão portuguesa… Com esta apresentação eu fiquei com interesse para ler o livro…»
Mafalda
«Gostei muito de ter assistido porque aprendi coisas novas e acho que correu bem porque também houve participação do nosso lado, fazendo perguntas às quais a escritora Ana Paula Miranda nos respondeu.»
Sofia
«O livro pareceu-me muito interessante e fiquei com curiosidade de o ler … O local escolhido para a apresentação foi a biblioteca, penso que foi bem escolhido porque estava silêncio… acho que devíamos repetir coisas deste género, que nos revelam interesse e nos façam aprender»
«…Gonçalo Uva
«A língua e a cultura japonesa sempre me fascinaram, mas depois desta apresentação a chama ficou mais forte. A apresentação foi muito boa e gostaria de agradecer às pessoas envolvidas, especialmente à autora»
«EuHugo Simão
«Acho que a apresentação correu bem e eu gostei porque o livro era interessante e a forma como a autora o apresentou também foi. Eu gostei da sessão e aprendi algumas coisas, acho que a autora foi simpática em ter vindo até à nossa escola…»
Nuno
«Eu gostei muito da apresentação… achei uma boa ideia a autora vir cá à nossa escola.»
Mariana
«…foi interessante pois enquadrava-se na matéria… o tema era interessante»
Pedro Simão
«Achei que foi interessante e que a autora brincou um bocadinho com a história, o que tornou a sessão mais animada…Despertou-me curiosidade para a língua japonesa…»
Carolina
«Eu gostei da sessão porque deu a conhecer a cultura japonesa… gostei também muito da autora… a sessão teve uma parte muito gira porque foi lá uma aluna que andava a estudar japonês… Com esta apresentação fiquei cativado para ler o livro porque os portugueses no Japão é um tema muito interessante.»
Gustavo
«…gostei muito, aprendi bastantes coisas que não sabia e foi uma aula diferente, também tive a oportunidade de conhecer a autora que é muito simpática e a possibilidade de uma colega do 9º ano falar um pouco da língua japonesa. O livro parece ser bastante interessante e fiquei com vontade de o ler…»
Pedro Alves
Opiniões do 8ºD
«Gostei bastante da apresentação da autora … vou certamente à biblioteca para requesitar o livro.»
Matyas
«A autora explicou bem as diferenças entre portugueses e japoneses, o que foi bstante interessante… A ida à biblioteca, para ouvir falar do livro, para mim foi interessante e correu bem.»
Catarina
«Eu gostei desta sessão porque pensei que iria ser um bocado aborrecida, mas depois a autora do livro era muito simpática e explicava muito bem as coisas… gostei também quando apareceu aquela miúda a falar japonês… fiquei muito surpreendida e gostei muito.»
Ivo
«Eu gostei do livro porque explica a importância dos descobrimentos…»
Valentyn
«Foi uma ótima apresentação…Foi clara, resumida, interessante e uma forma diferente de aprender. Despertou em mim não só a curiosidade de ler o livro, como também a vontade de aprofundar um pouco sobre os costumes do Japão… Gostei bastante da apresentação… todos colaboraram e participaram… No fim conclui que por vezes o que parece chato ou mau não é.»
Miguel
«A autora deste livro apresentou a ‘magia´ que o livro continha …Eu gostei imenso mas por agora não o posso ler pois tenho um para terminar.»
Mariana
«…foi impressionante o que a autora tinha para contar… eu gostei muito da apresentação e a biblioteca da escola foi o sítio ideal para o fazer… Depois da apresentação do livro surgiu-me o interesse de começar a leitura da PEREGRINAÇÃO de Fernão Mendes Pinto»
Manuel
«Gostei não só da apresentação como do local onde foi realizado, a biblioteca acho que é o sítio ideal para estar em convívio com o autor e os livros.»
Alexandra
«Eu achei a sessão agradável, tivemos um bom comportamento. Fizeram algumas perguntas e falaram de coisas importantes…»
Rodrigo
«Foi uma boa apresentação em que as dúvidas ficaram esclarecidas…A autora fez uma ótima apresentação… a turma conseguiu participar correctamente.»
Inês Marques
«A autora ao estar a dizer que os japoneses levam muito a sério e com agrado a nossa visita ao Japão, eu senti-me orgulhoso e curioso de conhecer um japonês… Eu gostei muito da apresentação.»
Pedro Diogo
«Acho que escolheram bem o sítio para a apresentação, numa sala qualquer não ía ter o mesmo interesse porque a biblioteca dá uma certa magia e é muito melhor… acho que vou ler o livro porque posso ficar a saber muitas outras coisas e também porque fiquei muito curiosa para saber o resto da história…»
Natharry
«Gostei muito da apresentação em si, a turma teve um comportamento exemplar e a autora criou um ambiente fantástico, revelando factos muito interessantes…Também apreciei e agradeço à nossa colega que teve a amabilidade de nos dizer umas palavras em japonês.»
Carolina Barrosa
«Eu gostei da visita à biblioteca, acho que foi agradável e que foi interessante para aumentar os nossos conhecimentos… Gostei muito e gostaria de repetir.»
Inês Correia
«Achei a sessão interessante e elucidativa. Muitas curiosidades engraçadas e palavras japonesas muito parecidas com as portuguesa… Foi muito giro… Não arranjei ainda o livro porque estou a ler outro, mas quando acabar vou ter o prazer de o ler…»
Laura
«Eu gostei bastante da apresentação… Foi divertida e bastante interessante… Acho que se deve continuar a apresentar livros na biblioteca pois é um espaço dedicado à leitura.. Gostei muito daquela pequena explicação sobre a língua japonesa feita pela aluna do 9º ano…»
João Pedro
« ...eu gostei muito da forma como a autora apresentou o seu livro com uma linguagem concisa que deu para perceber muito bem…»
Gelson
«Eu achei a sessão… muito interessante e a apresentação muito agradável. Nunca tinha estado ao pé de uma autora de um livro e gostei muito… é um livro cativante…Achei muito interessante… Acho também que aprendemos muito…»
Joana
«…A autora deu-nos a conhecer o livro e contextualizou a matéria do livro. A sessão correu muito bem para os dois lados, a escritora falou muito bem, mostrando confiança e interesse… o 8ºD portou-se muito bem, participou exemplarmente e deu uma boa imagem da escola. Eu achei enriquecedora a sessão…»
Rafael
«Fiquei muito interessada no livro, perguntei a uma das professoras que lá estava se havia aquele livro disponível na biblioteca da escola e ela disse que sim, mas como já tenho um livro requisitado, tenho primeiro de o acabar.. A apresentação foi também uma aula, muito interessante. O livro parece ser bom, estou entusiasmada para o ler.»
Ana Karla
«A sessão foi muito boa porque todos se portaram bem…»
Daniel
«…a apresentação do livro ajudou-nos a perceber ainda melhor a matéria…Eu gostava de ter mais tempo em casa para poder ler o livro, antes eu ía para a cama e como não tinha sono lia, mas agora já chego à cama e adormeço logo, tenho pena de não ler o livro porque parece ser um excelente livro… Eu gostei bastante da apresentação.»
Tiago Nery
«O início foi muito bom porque quando entrámos na biblioteca estava um ambiente estranho, com música oriental… Era um livro muito interessante porque falava dos primeiros portugueses a ir ao Japão… Gostei muito desta sessão. Podíamos ter mais aulas de história assim!»
Pedro Gonçalves
«Eu gostei do livro e acho que vou requisitá-lo à biblioteca porque me suscitou um bocadinho de curiosidade.»
Ede
«Para ser sincero antes de entrar na sessão não estava nada contente mas depois com o decorrer da mesma fiquei interessado. Aprendi… Eu gostei da sessão e do conteúdo que aprendi…»
Ricardo
«…Acho que foi uma apresentação muito boa…Fiquei com interesse de ler o livro e perceber mais sobre a viagem ao Japão.»
Gonçalo
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
OLÁ, ESTÁ AÍ ALGUÉM?
Vale muito a pena repetir as experiências que resultam bem, até porque nunca são verdadeiras repetições: o Sol está mais brilhante nesse dia, o teste da aula anterior não correu lá muito bem, aquela passagem do livro é particularmente interessante, os leitores estavam mais ou menos inspirados… É sempre diferente.
Falo das leituras em voz alta, desta vez do livro OLÁ, ESTÁ AÍ ALGUÉM, realizadas por várias turmas do 8º ano, ao longo de Outubro e Novembro, e mais uma vez contando com a colaboração de professores de diversas disciplinas: Português, Francês, Matemática, Biologia, TIC, @rte. com, Francês, Fisico-Químicas…
O autor de O MUNDO DE SOFIA, o norueguês Jostein Gaarder, professor de Filosofia com vasta experiência na literatura juvenil, conta neste romance o encontro entre uma criança de oito anos e um extra-terrestre. Situação privilegiada, como se imagina, para virar do avesso as ideias feitas e poder explorar os mais diversos temas, dos quais a evolução não podia deixar de fazer parte.
Os alunos do 8º C, a pedido da professora Céu Ribeiro, enviaram-nos as suas opiniões, sobre estas horas passadas na Biblioteca.
Aqui ficam, com os nossos agradecimentos, e a garantia de que vamos continuar!
Opinião ...
“...o texto foi feito de forma muito inteligente.... Foi baseado num sonho, numa parte da realidade e talvez numa amizade algo forte...
Tinha frases, declarações e questões muito sábias, curiosas e que principalmente nos fazem pensar. Por outro lado, o autor do livro teve realmente muita imaginação.
De facto, o livro era algo que não esperava.”
Inês Freitas
“...gostei muito do livro, porque nos leva a refletir sobre assuntos que não é normal serem questionados. É importante fazermos perguntas e não considerar aquilo que sabemos como sendo a única verdade ou resposta.
Devemos usar sempre a nossa imaginação, mesmo quando adultos."
Clara Godinho
“É interessante porque faz-nos pensar em coisas nas quais, se não tivéssemos lido, nunca pensaríamos. Do que gostei mais foi quando o Joaquim percebeu que o Mika lia os seus pensamentos.”
José Simões
“Adorei o livro porque há partes muito engraçadas, como quando o Joaquim foi tirar uma foto ao Mika e o Mika não tinha umbigo. Ahah!"
Guilherme Castro
“Acho um livro interessante e apropriado para a nossa idade. Foi bastante fácil de ler. Uma pessoa ficava, ao ler o livro, bastante curiosa para ver o que vinha a seguir. “
Miguel Sousa
“Eu gostei muito das sessões na biblioteca. É bom variar de vez em quando. Não é costume meu ler, mas gostei do livro. A história é muito interessante e criativa. Também, por outro lado, achei útil, pois aprendi a interpretar as coisas de várias maneiras.
Muitas pessoas dizem que a filosofia é “chata” e aborrecida mas, com estas sessões fiquei com a ideia que não é assim tão aborrecida e pode ser muito útil.”
Pedro Valente
“Este livro baseia-se numa história de dois jovens que, por vezes, parecem muito diferentes. O Mika e o JoaKim, no desenrolar da história, provam que podemos ser diferentes por fora mas que, por dentro, somos todos iguais. Uma história bastante interessante e educativa.Gostei muito da actividade na biblioteca, foi bastante divertido ler este livro com os meus colegas. Gostaria de repetir.”
Mallu Novaes
“Este livro é muito engraçado porque vemos que duas pessoas muito diferentes podem ser muito iguais.Mika e o Joakim provam que, às vezes, o que interessa é mesmo o interior.A atividade que fizemos na Biblioteca foi muito interessante – foi muito educativa e aprendemos muito.”
Raquel Brites
“Gostei da atividade e do livro. Estava escrito de forma notável. Foi com arrebatamento que li o livro. Enchi o peito de ar e fiz esta crítica de que me orgulho.Havia frases muito bem escritas e, se eu as pusesse aqui, não saía daqui nem amanhã.”
Bernardo Almeida
“Desde já gostaria de agradecer à pessoa que esteve connosco na biblioteca e é responsável por estas sessões pois apresentou-nos um livro fantástico. Aliás, é mais que um livro, para mim é um dicionário de ensinamentos.
Se, neste preciso momento, em que escrevo esta análise, crítica ou como lhe quiserem chamar, me perguntassem qual é o título do livro, não vos sabia responder pois não o fixei, apenas fixei as palavras das personagens deste livro que, no fundo, se formos a pensar bem, são palavras filosóficas.
Pode parecer estranho como um miúdo de 8 anos (Joakim) e um ser vindo de outro planeta (Mika), podem fazer com que este livro possa estar cheio de ensinamentos. Digo isto porque, sem eles, este livro não ganhava magia, uma magia muito especial, que nos leva, a nós, também, para dentro do livro. É impressionante como Joakim e Mika são tão parecidos e tão diferentes.
Por isso, a quem estiver a ler este texto, recomendo-vos este livro de cujo título não me recordo. Mas, se um ser verde com uma grande cabeça, um ser não muito diferente de nós, vos tocar à porta e vos diga que é um mumbo, que veio de um planeta chamado chamado Eljo, que nasceu de um ovo e que precise de acolhimento, não hesitem, fiquem com ele e …ah, perguntem-lhe o título deste livro que eu adorei ler.”
João Fonseca
“Eu gostei desta experiência na biblioteca porque foi a primeira vez que fiz uma coisa destas. A história é muito interessante e fazia uma pessoa reflectir sobre aquilo que estava escrito. Também era interessante porque é muito difícil encontrar um menino de 8 anos a saber tanta coisa…. “
Tomás Silva
“Eu achei o texto muito divertido. O livro ensina muitas coisas como o início da vida que começou com animais aquáticos e põe uma questão muito importante: Será que existem seres vivos em outros planetas? Eu acho que é possível existirem seres como Mika, tirando aquele poder de ler pensamentos”
André Borges
“Eu gostei muito de ir à biblioteca ler o livro, que é muito giro . Fala de uma história com muita imaginação e muita realidade. Lia-o outra vez. “
Alexandre Lourenço
Falo das leituras em voz alta, desta vez do livro OLÁ, ESTÁ AÍ ALGUÉM, realizadas por várias turmas do 8º ano, ao longo de Outubro e Novembro, e mais uma vez contando com a colaboração de professores de diversas disciplinas: Português, Francês, Matemática, Biologia, TIC, @rte. com, Francês, Fisico-Químicas…
O autor de O MUNDO DE SOFIA, o norueguês Jostein Gaarder, professor de Filosofia com vasta experiência na literatura juvenil, conta neste romance o encontro entre uma criança de oito anos e um extra-terrestre. Situação privilegiada, como se imagina, para virar do avesso as ideias feitas e poder explorar os mais diversos temas, dos quais a evolução não podia deixar de fazer parte.
Os alunos do 8º C, a pedido da professora Céu Ribeiro, enviaram-nos as suas opiniões, sobre estas horas passadas na Biblioteca.
Aqui ficam, com os nossos agradecimentos, e a garantia de que vamos continuar!
Opinião ...
“...o texto foi feito de forma muito inteligente.... Foi baseado num sonho, numa parte da realidade e talvez numa amizade algo forte...
Tinha frases, declarações e questões muito sábias, curiosas e que principalmente nos fazem pensar. Por outro lado, o autor do livro teve realmente muita imaginação.
De facto, o livro era algo que não esperava.”
Inês Freitas
“...gostei muito do livro, porque nos leva a refletir sobre assuntos que não é normal serem questionados. É importante fazermos perguntas e não considerar aquilo que sabemos como sendo a única verdade ou resposta.
Devemos usar sempre a nossa imaginação, mesmo quando adultos."
Clara Godinho
“É interessante porque faz-nos pensar em coisas nas quais, se não tivéssemos lido, nunca pensaríamos. Do que gostei mais foi quando o Joaquim percebeu que o Mika lia os seus pensamentos.”
José Simões
“Adorei o livro porque há partes muito engraçadas, como quando o Joaquim foi tirar uma foto ao Mika e o Mika não tinha umbigo. Ahah!"
Guilherme Castro
“Acho um livro interessante e apropriado para a nossa idade. Foi bastante fácil de ler. Uma pessoa ficava, ao ler o livro, bastante curiosa para ver o que vinha a seguir. “
Miguel Sousa
“Eu gostei muito das sessões na biblioteca. É bom variar de vez em quando. Não é costume meu ler, mas gostei do livro. A história é muito interessante e criativa. Também, por outro lado, achei útil, pois aprendi a interpretar as coisas de várias maneiras.
Muitas pessoas dizem que a filosofia é “chata” e aborrecida mas, com estas sessões fiquei com a ideia que não é assim tão aborrecida e pode ser muito útil.”
Pedro Valente
“Este livro baseia-se numa história de dois jovens que, por vezes, parecem muito diferentes. O Mika e o JoaKim, no desenrolar da história, provam que podemos ser diferentes por fora mas que, por dentro, somos todos iguais. Uma história bastante interessante e educativa.Gostei muito da actividade na biblioteca, foi bastante divertido ler este livro com os meus colegas. Gostaria de repetir.”
Mallu Novaes
“Este livro é muito engraçado porque vemos que duas pessoas muito diferentes podem ser muito iguais.Mika e o Joakim provam que, às vezes, o que interessa é mesmo o interior.A atividade que fizemos na Biblioteca foi muito interessante – foi muito educativa e aprendemos muito.”
Raquel Brites
“Gostei da atividade e do livro. Estava escrito de forma notável. Foi com arrebatamento que li o livro. Enchi o peito de ar e fiz esta crítica de que me orgulho.Havia frases muito bem escritas e, se eu as pusesse aqui, não saía daqui nem amanhã.”
Bernardo Almeida
“Desde já gostaria de agradecer à pessoa que esteve connosco na biblioteca e é responsável por estas sessões pois apresentou-nos um livro fantástico. Aliás, é mais que um livro, para mim é um dicionário de ensinamentos.
Se, neste preciso momento, em que escrevo esta análise, crítica ou como lhe quiserem chamar, me perguntassem qual é o título do livro, não vos sabia responder pois não o fixei, apenas fixei as palavras das personagens deste livro que, no fundo, se formos a pensar bem, são palavras filosóficas.
Pode parecer estranho como um miúdo de 8 anos (Joakim) e um ser vindo de outro planeta (Mika), podem fazer com que este livro possa estar cheio de ensinamentos. Digo isto porque, sem eles, este livro não ganhava magia, uma magia muito especial, que nos leva, a nós, também, para dentro do livro. É impressionante como Joakim e Mika são tão parecidos e tão diferentes.
Por isso, a quem estiver a ler este texto, recomendo-vos este livro de cujo título não me recordo. Mas, se um ser verde com uma grande cabeça, um ser não muito diferente de nós, vos tocar à porta e vos diga que é um mumbo, que veio de um planeta chamado chamado Eljo, que nasceu de um ovo e que precise de acolhimento, não hesitem, fiquem com ele e …ah, perguntem-lhe o título deste livro que eu adorei ler.”
João Fonseca
“Eu gostei desta experiência na biblioteca porque foi a primeira vez que fiz uma coisa destas. A história é muito interessante e fazia uma pessoa reflectir sobre aquilo que estava escrito. Também era interessante porque é muito difícil encontrar um menino de 8 anos a saber tanta coisa…. “
Tomás Silva
“Eu achei o texto muito divertido. O livro ensina muitas coisas como o início da vida que começou com animais aquáticos e põe uma questão muito importante: Será que existem seres vivos em outros planetas? Eu acho que é possível existirem seres como Mika, tirando aquele poder de ler pensamentos”
André Borges
“Eu gostei muito de ir à biblioteca ler o livro, que é muito giro . Fala de uma história com muita imaginação e muita realidade. Lia-o outra vez. “
Alexandre Lourenço
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