sábado, 27 de março de 2010

DESCOBRINDO MEXIA


Cronista, poeta, dramaturgo, crítico de cinema, Pedro Mexia esteve na escola, a convite do Clube de Cinema, para apresentar um dos seus filmes de eleição.

Descubro-o agora, vagarosamente, como poeta.
Por exemplo, neste poema do seu livro Eliot e Outras Observações:

ALUNOS DO LICEU

Alunos do liceu que me passais pela retina
porque não vos fixais? Encostados ao vento
descem a rua, bando feliz, alguns isolados
em pequenas tristezas. Os rapazes, na sua rudeza

artificial, trazem raquetes, usam neologismos,
enquanto as raparigas, que ontem mesmo
despontaram, segredam cenários entre sorrisos.

Todos rua abaixo, mesmo a tempo
da aula das oito, e trazendo nas mochilas
insuspeitados tesouros.

segunda-feira, 22 de março de 2010

PRÉMIO DE POESIA PARA A NOSSA ESCOLA

NO DIA MUNDIAL DA POESIA, NO CCB


Mais uma vez, a nossa Escola recebeu um importante Prémio de Poesia.

Desta vez foi o 2.º Prémio do Secundário, no Concurso Nacional "Faça Lá um Poema", promovido pelo Plano Nacional de Leitura e o Centro Cultural de Belém.

Sejamos mais rigorosos. Quem recebeu o prémio foi o João de Almeida d'Eça, do 11.ºF, e o poema - extraordinário poema - é "Morte em Veneza".

Estivemos no CCB, na cerimónia de entrega dos prémios, integrada nas comemorações do DIA MUNDIAL DA POESIA, e ficámos a saber, pelo Fernando Pinto do Amaral, presidente do PNL e do Júri, que estiveram em concurso mais de 2500 poemas. A única coisa que ocorre dizer é que foi muito emocionante ouvir o João ler, maravilhosamente, o seu poema. A perplexidade face a esta tão madura reflexão sobre a fugacidade da beleza e da juventude, submetidas ao peso implacável do tempo, esse escultor, não deixa de nos acompanhar. Thomas Mann e Visconti estiveram por momentos sentados, ao nosso lado, no grande auditório do CCB.
Parabéns, João, por os teres convidado!

Já que não ficou registo gravado desse instante tão intenso, transcreve-se o poema.


MORTE EM VENEZA

Todos morremos em Veneza
todos somos Aschenbach
vendo a juventude fugir
esvaindo-se por entre os dedos.
Todos encontramos o pequeno Anselmo
e todos o perdemos entre a bruma da maré
e quando ele reaparece, tarde de mais,
jazemos mortos na areia cálida
o bafo moribundo contra a corrente
os olhos brancos fitando o céu.
E o pequeno Anselmo foge
em toda a sua resplandecência
vendo a nossa carcaça velha
apodrecer ao sol poente.
Sim! Todos somos Aschenbach
e vimos morrer a Veneza
roídos pela frustração,
pela dúvida e pela incerteza
e todos vemos o pequeno Anselmo
fugir com a sua beleza!

ESCREVER POESIA COM QUADROS DENTRO


Já se vai tornando um hábito - um bom hábito - ir ao Centro de Arte Manuel de Brito, em Algés, ver uma exposição e, de caminho, fazer uma Oficina de Escrita Criativa. Desta vez, a magnífica exposição de gravura de Bartolomeu Cid dos Santos convidava mesmo à evocação de Pessoa e não foi preciso reler muitos poemas para encontrar o verso certo para cada quadro, pegar nele, e usá-lo como mote para o poema a inventar.

Mas em primeiro lugar, falemos do pintor. Grande artista, gravador como poucos, quem o conhece? Quantos se lembram de ter visto um quadro seu? Em Tavira há umas escadinhas com o seu nome, no lugar onde teve o último atelier, depois do regresso de Londres e até à sua morte recente, em 2008. Devia ser proibido não conhecer a obra deste enorme artista português que viveu grande parte da sua vida em Londres e que na Literatura procurou insistentemente os temas da sua obra e que teve em Pessoa, sobretudo Álvaro de Campos, um motivo recorrente.

Partimos, pois, à procura das imagens de Bartolomeu Cid dos Santos e nelas procurámos as pegadas de Pessoa, e nessas pegadas o impulso para o nosso próprio salto de palavras - a palavra poética arrancada às imagens que aos poemas foram beber. Trajectória em Labirinto - curiosamente uma imagem multipresente nesta exposição - para encontrarmos os nossos labirintos interiores.

A turma que ali esteve, de corpo inteiro, foi o 12.ºB com a professora Assunção Sobral Gomes. Gostei mesmo desta turma. E do modo como se perderam nos quadros de Bartolomeu Cid dos Santos. E dos poemas que escreveram, eles que diziam que não eram grandes poetas...

Esta viagem do aLeR+ valeu mesmo a pena.

domingo, 21 de março de 2010

OUVIR EM VEZ DE LER

Ler é um acto que, na sua aparente e enganadora simplicidade, resulta de um longo processo histórico e da complexa formação cognitiva de cada um: lia-se, na Idade Média, pronunciando as palavras em voz baixa; não era conhecida a leitura silenciosa, sem mover dos lábios. Esta, que nos parece intuitiva, terá sido uma "descoberta" (provavelmente de mulheres: freiras que, para grande espanto dos que pela primeira vez as viram nessa prática, inventavam o acto, que hoje nos parece normal, de entrega à página de um livro, sem mediação da voz, como se a pessoa estivesse numa espécie de absoluto recolhimento).

Lê-se relativamente pouco em Portugal. Muitas das pessoas que sabem ler não gostam de o fazer. A leitura como um prazer é, obviamente, uma conquista. Mas que difícil, num mundo em que abundam e se buscam os prazeres que não dão trabalho, que se recebem passivamente.

Daí que me espante que certa editora apresente agora, como o último grito, "resumos de grandes obras" para se ouvir em i-pod. Ouvia há tempos, espantado, os argumentos de um orgulhoso responsável por este produto: que não podíamos recusar o «desafio das modernas tecnologias»; que se tratava de simplificar a vida dos jovens, apresentando-lhes, por exemplo, Felizmente Há Luar, de uma forma mais «motivadora» (porque, deduzo, os libertava da tarefa de "ler" a obra, permitindo-lhes que "ouvissem" um resumo dela). Era transbordando de vaidade que o senhor rematava: «Na altura dos exames, quando virem passar jovens de i-pod, quem sabe?, talvez estejam a ouvir Felizmente Há Luar».

Isto parece-me uma evolução ameaçadora. Não sou dos que pensam que a leitura esteja em risco - mas considero de uma irresponsabilidade que uma editora não perceba até que ponto está a corromper e a tentar substituir o que devia promover.

Provavelmente estou errado.

terça-feira, 16 de março de 2010

UMA RODA VIVA

Sempre numa roda viva, a nossa Biblioteca.


OFICINAS DE ESCRITA CRIATIVA
Em oficinas de escrita criativa, várias turmas do Básico e do Secundário têm sido convidadas a soltar a imaginação e a inventar prodígios. Recorde-se que o tema do Concurso Literário deste ano é precisamente O Dia dos Prodígios, título do romance com que Lídia Jorge, há trinta anos, iniciou a sua carreira literária. Recorde-se também que, dos textos criados nas oficinas irão ser seleccionados, nas turmas respectivas, os que poderão ser apresentados a disputar prémios.
Já foi a vez do 11º B, 11º G, 11º E, 7º B, 7º D, 7º A, 10º F, com as respectivas professoras de Português - Fátima Magriço, Mavilde Nunes, Ana Borba, Paula Varela, Irene Fonseca - e outras turmas se seguirão.
Com maior ou menor concentração, maior ou menor disponibilidade para a escrita, em comum há os casos extremos dos que declaram não ter ideias, ou não ter jeito para escrever, ou as duas coisas, e sempre, sempre, quem acabe com o contentamento, muitas vezes misturado de espanto, pelo resultado final, ao ter conseguido dar forma de palavra às ideias e imagens que, afinal, estavam (des)arrumadas em todas as cabeças.

LEITURA EM VOZ ALTA
Houve também lugar para a leitura em voz alta, com o décimo ano de História da Cultura e das Artes, acompanhado pela professora Fátima Madaleno, a mergulhar na atmosfera medieval do conto “A Dama Pé de Cabra”, de Alexandre Herculano – cujo bicentenário do nascimento se comemora em 2010 – e a descobrir que fantástico, almas penadas e outros mistérios têm a sua origem em épocas bem distantes, muito apreciados por exemplo pelo gosto romântico, antes de terem sido redescobertos pelos actuais fabricantes de bestsellers.
A redescobrir, também, o prazer de ler em companhia, dando à palavra impressa a sonoridade que ela contém, a saborear texto e voz(es).

CONFERÊNCIA
No mesmo dia, mas ao fim da manhã, mudámos de registo e preparámo-nos para assistir à Conferência de intrigante título que a Doutora Elizabeth Sousa iria proferir: SK – FP – RS: Pseudónimos e Heterónimos. Com agrado e curiosidade, uma assistência composta por duas turmas já iniciadas na poesia de Fernando Pessoa (O 12º A e o 12º C), acompanhadas das respectivas professoras de Português, Conceição Pereira e Mavilde Nunes, e outros professores interessados pelo tema, acompanhou a conferencista no traçar de relações entre a pluralidade de identidades a que tanto o filósofo Soren Kierkgaard como o compositor Robert Schumann deram existência e a heteronímia pessoana. Comunicadora cativante, usando a linguagem simples de quem domina com segurança as matérias que expõe, Elizabeth Sousa abriu perspectivas novas, sobre a obra do enorme e sempre inesgotável poeta.
De novo a Biblioteca contou com a Conceição Pereira, na dinamização de mais um encontro.

RODA DE LIVROS
E a Roda de Livros do 10º B voltou a girar, sob o impulso da professora de Português, Elisa Costa Pinto.
Desta vez, as raparigas dominaram, e com elas a escolha de alguns livros em que sentimentos e emoções são objecto de observação. Só Resta o Amor, de Agustin Paz, E Dizer-te uma Estupidez qualquer, por exemplo, Amo-te, de Martín Córdoba. O primeiro, contou a Erica, que confessou não ter hábitos de leitura, foi começado no dia do PARAR PARA LER, e depois lido de enfiada. Às vezes é assim, “primeiro estranha-se, depois entranha-se…”. O segundo prova como um título pode ser decisivo no momento da escolha de um livro. Deu origem a alguma discussão, sobre o estado de idiotice em que se pode ficar quando se está apaixonado, de tal forma que até os rapazes participaram, eles que não gostam nada de falar destas coisas…
Seguiram-se A Criança Que Não Queria Falar, de Torey Hayden, Adrian Mole e as Armas de Destruição Maciça, de Sue Townsend e Um Leão Chamado Christie, de Anthony Bourke, todos suscitando diferentes curiosidades, numa conversa que voltou a fluir, ágil e saborosa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

UMA RODA VIVA

Continua a andar numa roda viva, a nossa Biblioteca

terça-feira, 9 de março de 2010

UMA EVOLUÇÃO PARALELA

Se alguns amores há que são para ser mascados rapidamente e engolidos, como fast-food, outros, mais difíceis mas mais compensadores, devem saborear-se. Assim sucede com a minha última paixão. Vou apresentar um pedacinho, um fragmento, só, desse amor vagaroso e exigente:

«Muito da força da tecnologia, pensada em sua generalidade, vem desta conversão de uma ambivalência ancestral numa função única. É isto que faz o avião voar, a roda do carro girar, a lâmpada acender - o assassinato do possível. A tecnologia não é a falsa maravilha mas a mais violenta delas, já que cala todas as demais. Pois quem pode garantir que o borrifamento gracioso e a dispersão contínua da água, como numa gigantesca fonte barroca, não seriam capazes, numa outra evolução tecnológica (feita a partir do pó e não do fogo, da lama e não da roda, do vinho e não do pergaminho, do grito e não da fala), de gerar mais energia do que as hedrelétricas? Ou que ao invés de utilizar aviões pudéssemos ser catapultados em colchões de ar até o outro lado do oceano, abraçados a travesseiros de penas de ganso que voassem ainda? Não haverá em nosso grito uma enorme fonte de energia desperdiçada, e será que o mecanismo de nossas pálpebras não dispensaria combustíveis fósseis? E se cuspíssemos para cima? E se não fizéssemos nada? E se acendêssemos lâmpadas com bocejos?»

Mantenho, como perceberam, o português do Brasil. O autor chama-se Nuno Ramos. O livro tem um título tão simples e tão inesquecível como isto: Ó! Foi Prémio PT em 2009.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

PRÉMIO PARA MARIA VELHO DA COSTA


Maria Velho da Costa foi a grande vencedora do Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído ao seu romance Myra (Assírio & Alvim) que esteve a concurso entre 160 livros de autores de língua portuguesa, castelhana ou hispânica. O prémio inscreve-se no programa do encontro "Correntes de Escritas", anualmente organizado na Póvoa de Varzim e que, este ano, reuniu cerca de 65 escritores.
O júri era constituído por Carlos Vaz Marques, Dulce Maria Cardoso, Fernando J.B. Martinho, Patrícia Reis e Vergílio Alberto Vieira.

NOTA: lembramos que Maria Velho da Costa, uma das grandes vozes da literatura portuguesa contemporânea, esteve já na Bibiloteca da nossa Escola, a orientar uma interessantíssima oficina de escrita (como pode ver-se na foto).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Chimamanda Adichie: O perigo da história única

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie conta como aprendeu a compreender que é perigoso conhecer uma única história, que é como quem diz, olhar alguém ou uma realidade, sob uma só perspectiva.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ONDE NÃO ESTOU, TU NÃO EXISTES

onde não estou, tu não existes, de Marta Chaves, é um livro singular. São 21 poemas breves (5 deles têm apenas 1 verso, o mais extenso tem 8 versos), respiração de uma fortíssima intensidade emocional e textual que a escassez das palavras parece sublinhar.
O título abre para um universo de referências (a relação sujeito-objecto) claramente vinculadas à Filosofia e à Psicanálise. E se esta é uma linha de sentido que perpassa por aqui, uma outra, igualmente cara a estes domínios, se cruza com ela - a linguagem. Temos, então, que este é um livro sobre a relação do eu com o outro, uma relação que é instaurada pela palavra, o nome, ou, na impossibilidade de nomear, pelo silêncio. Na verdade, este é também um livro onde o silêncio se faz ouvir, desde o primeiro poema
Exerço muitas vezes o ofício de estrangeira
com pouca fé de que na impossibilidade da língua
se entenda a natureza dos meus gestos.
ou mais adiante
Escrevo-te cartas que difundem o meu silêncio.
ou ainda
Fico só
entre mim e o nome que dou às coisas.

Não se pense, no entanto, que Marta Chaves procura na Filosofia ou na Psicanálise um abrigo redutor, ou comprometedor, da dimensão poética dos seus versos. Muito longe disso, estes poemas (ou o poema contínuo, para usar uma expressão roubada a Herberto Helder) são pura poesia, tecida palavra a palavra, linguagem densa e depurada. Com estas palavras se enuncia o (des)encontro com o outro, o amor, a perda, a fuga, o rapto. Com estas palavras, colhidas laboriosamente no dicionário mais íntimo, se indicia uma narrativa (e uma geografia)
Esta cidade está repleta de pequenos raptos,
de andaimes suspensos no tempo da minha memória.

Lembrar que este é o primeiro livro de Marta Chaves, depois da estreia na revista "Criatura", e da presença na blogosfera literária, não é irrelevante. Porque é necessária uma grande maturidade estilística para publicar assim, para escrever assim, com este rigor e esta escassez. É preciso um domínio muito eficaz da linguagem, para virar as palavras do avesso e depois devolvê-las intactas e transparentes ao labor da representação. É preciso deixar para trás muitos cadernos de versos para, num só verso, escrever
Chegam cobertas de pó as coisas imaginadas.

onde não estou, tu não existes é um livro cuja leitura nos obriga a parar, porque só no silêncio do encontro com a substância da palavra poética, saberemos desocultar o que apenas se pressente.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

RODA DE LIVROS



Toda a gente sabe que a invenção da roda foi uma das mais fabulosas que o ser humano jamais realizou, e as extraordinárias mudanças que trouxe à sua existência. Sem rodas, como seria a nossa vida?
O que muitos ainda não experimentaram foi a magia de pertencer, ou mesmo só de assistir, a uma “Roda de Livros”, como a que teve lugar na Biblioteca. A turma B do 10º ano, simpática, “boa onda”, divertida, com a professora de Português, também, a falar de coisas muito sérias com a naturalidade e à vontade com que se deve falar das coisas sérias.
Ora vamos lá a ver. Cheguei atrasada, segundo um dos alunos, perdi o melhor... O que seria, se o resto foi tão bom?! Soube depois que foi a apresentação de um livro que li de um fôlego, daqueles que lemos e depois andamos a querer convencer toda a gente de que não pode de maneira nenhuma perdê-lo: A Sombra do Vento, do catalão Zaffon, romance premiado no ano em que saiu, logo aqui em Portugal, no Correntes de Escritas (o importante encontro de literatura de expressão ibérica, que todos os anos se realiza na Póvoa do Varzim). Que pena não ter ouvido!
Mas ouvi falar do Siddartha, de Hermann Hesse, da procura do ser, do caminho para lá, percebi como foi bem feita a escolha do que devia ser dito, apreciei como alguém perguntou, concluiu – “Então, é como se esse fosse o caminho da vida?” (Não foi bem assim, mas garanto que o sentido foi esse.)
Ouvi falar d’ O Carteiro de Pablo Neruda, daquela tocante amizade entre o carteiro e o poeta, daquele amor do carteiro que o poeta ajudou a conquistar. Das cartas sonoras que o carteiro enviou ao poeta, quando este precisou de recordar.
Do inesquecível Por Quem os Sinos Dobram, de Hemingway, do intemporal Diário de Anne Frank.
Também de As Brumas de Avalon, que um divertido leitor confessou ter partes “com bolinha” e que foram exactamente essas que lhe agradaram mais.
E ainda houve tempo para um magnífico policial de Agatha Christie, para acabar em suspense.
Nada quebrou aquele círculo perfeito, as apresentações cativantes, as perguntas inteligentes, outras ligeiras e bem humoradas (“Quanto tempo levaste a ler esse livro?”- 6 vezes..., “Mas há história de amor?”, “E o rapaz, era bonito?”), mas sempre com um grande companheirismo. Não sei se a palavra está fora de moda, mas foi o que achei e me agradou mais. Temos turma!
Como dizia o senhor Pedro no final, “Ficava aqui o resto da manhã a ouvi-los.”

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

PALAVRAS COM MÚSICA

Durante um certo tempo, houve, no andar de cima, alguém a arrastar mobília; cá em baixo, na Biblioteca, contudo, nem se dava por isso.

Algures, um telefone tocou: mal se deu por isso.

Estava também presente pelo menos uma turma de alunos que, às vezes, se mostram irrequietos: ali, pareciam em transe.

Vi olhos abertos, rostos em beatitude, expressões de enlevo. Não pensem que exagero ou que falo de uma ida à missa.
Estávamos, repito, na Biblioteca. Eram doze horas e quarenta e cinco minutos.
Perante o número ideal de assistentes - três turmas: 10º F, 11º F, 12º B -, recuperava-se o belíssimo espectáculo de poesia e música a que já algumas pessoas tinham assistido, no fim do período passado, num dos dias em que oficialmente a escola comemorou os seus 30 anos.

Não houve outro critério, na escolha dos poemas, que não fosse o do gosto dos que os disseram. Nem cronológicos, nem temáticos: foram apenas jovens, a Inês Lourenço, o Guilherme Santos, o João d'Eça, a Maria Carlos Cortegaça, a Sara Meess, a Verónica e a Beatriz Braz, que nos vieram mostrar a poesia que os toca: Cesariny, Neruda, Ary, Sophia - num poema dedicado ao Professor Lucas, que tanto dela gostava -, Ramos Rosa, Pessoa, Pessanha e Eugénio. As suas palavras ecoaram na Biblioteca, suspensas dos acordes das violas. (João Paulo e João Secca).

A seguir, duas alunas, a Minerva e a Isabela, tocaram clarinete e flauta, em melodias de balanço brasileiro, onde pressentíamos, por exemplo, a poesia de Vinícius («Quando a luz dos olhos meus/ Encontra a luz dos olhos teus...»); a fechar, a Andreia cantou naquela sua voz de que, ainda ela não acabara, e já nós começávamos a sentir saudades.

Foi um dos momentos mais maravilhosos que a Biblioteca guardará - e olhai lá, que a Biblioteca tem tido muitos momentos maravilhosos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CRÓNICA DE VIAGEM


O Projecto Cosmix, da Biblioteca/Centro de Recursos da nossa escola, procura, fundamentalmente, divulgar Banda Desenhada (BD). Em todas as suas formas, sensibilidades e possibilidades, desde alguma coisa da que é produzida na América do Norte ou no Japão, grandes expoentes dos "quadradinhos", até muita da europeia (nomeadamente a franco-belga, mas não esquecendo o que se vai fazendo em Portugal...)

Este ano, o projecto parecia adormecido. «Parecia».

Recebemos um amável convite da Escola Secundária Fernando Lopes Graça, da Parede, para aí apresentar a palestra O Maior Voo dos Super-heróis: dos Comics para o Cinema, que já tinha sido um sucesso entre nós. Reunimos, então, os dinamizadores dessa sessão: Guilherme Santos, João Sacramento, João d'Eça, alunos do 11º ano, e João Lemos, o excelente desenhador (de comics, precisamente) que trabalha para a Marvel (diz-vos algo? A empresa que põe cá fora o Homem-Aranha, o Incrível Hulk, o Capitão América, o Surfista Prateado, entre outros...)

Partimos de Linda-a-Velha às dez horas. Um pouco antes das dez e meia estávamos na escola da Parede.
Um auditório aguardava-nos. (Um auditório com bancos bem confortáveis, de nos fazer roer de inveja!). E, nesse auditório, um público de cerca de cem alunos (do 7º ao 12º anos) e alguns professores dava-nos ruidosas boas-vindas.

A sessão não poderia ter corrido melhor. Um pouco nervosos, ao princípio, os jovens oradores foram ganhando confiança, lançando piadas, referindo a maneira como o cinema se tem apropriado das personagens desenhadas.
Na segunda parte, João Lemos estava imparável. Com microfone, enquanto o dito funcionou, sem precisar de microfone quando este cedeu e se deixou ultrapassar pelo seu brilho e pelo seu talento, J. L. principiou por uma arqueologia da BD, desde a sua mais remota génese, não se escusando, no fim, a falar sobre o seu próprio trabalho.

Foi difícil conseguir que o jovem público saísse, dali, para as aulas seguintes.
Fizeram perguntas; houve mesmo um grupo entusiasta que rodeou os visitantes, mantendo-se (e mantendo-os) ali de pé firme; tivemos, depois, direito a uma visita guiada à Biblioteca da Escola da Parede.

Foi tudo muito bom. Foi muito, muito bom.

Ao Guilherme, ao Sacramento, ao Eça e ao impagável João Lemos, o Projecto Cosmix agradece a disponibilidade e a qualidade das intervenções.

À escola Secundária Fernando Lopes Graça, agradecemos o convite, a curiosidade, a atenção, a hospitalidade.

VIVA A MÚSICA


Há uma espécie de osmose nas paredes e objectos de certos lugares, absorvem vozes, risos, rostos, pensamentos. Eu acho. E tenho a certeza de que a Biblioteca é um desses lugares. Talvez pelos livros, testemunhas silenciosas e cúmplices de todos os momentos.

Numa destas segundas feiras, foram a Anabela, o seu violino, a Catarina e o Sérgio, a música de Mendelssohn, o silêncio interessado, curioso, dos colegas do 12ºA e 12º F, presenças habituais e sempre bemvindas.

De novo, obrigada e parabéns!


P.S. - Foi a primeira sessão na Biblioteca azul. Não podia ter havido melhor estreia.

sábado, 30 de janeiro de 2010

UM LIVRO

Há um livro que me é particularmente querido, e desde há muito.
O autor é um homem discreto, que preferiu esconder-se do público e fugir às entrevistas: J. D. Salinger. O título original é The Catcher in the Rye. A tradução portuguesa desta expressão tem variado: já lhe chamaram Uma Agulha no Palheiro. Já lhe chamaram À Espera no Centeio. (Ambas as edições se encontram no mercado). Mas trata-se de aproximações bizarras, insuficientes para «agarrar» um termo, "catcher", que não possuímos em português.

O narrador é Holden Caulfield, um jovem de dezasseis anos que acaba de ser "dispensado" (leia-se expulso) de um colégio interno.
Numa linguagem crua e cruel, com obscenidades ou palavras típicas de um rapaz da sua época - semelhantes, no fundo, às de qualquer adolescente de qualquer tempo e qualquer parte -, Caulfield revela-nos a sua paradoxal visão do mundo e da vida, impregnada de rancor e de inocência, malvadez e generosidade, incompreensão e lucidez. O seu humor fere. O desprezo que nutre pelos adultos (ou pelos próprios colegas) não é senão uma face oculta da carência que o marca, da necessidade de que o amem.

Vai narrando a aventura desse lapso em que, expulso de Pencey, decide não regressar imediatamente a casa: quer dar tempo aos pais para que recebam e digiram a notícia. E desaparece por uns dias, durante os quais, entre as mais estranhas peripécias, nunca perde a ligação íntima com a infância: recorda o seu irmão escritor, o outro irmão, que morreu, a sua irmã mais nova, que adora, evocados em memórias palpitantes, à Proust, em que todas as sensações permanecem intensas: os cheiros, as cores, as vozes.

É um livro mais triste do que revoltado, escrito nos anos cinquenta, mas em que reencontro, hoje, uma personagem que não é diferente do meu filho ou dos meus alunos. É um livro em que a dor está sempre à beira de se deixar tocar, apesar de disfarçada na arrogância, contida pela noção do ridículo ou aparentemente suspensa entre acontecimentos inesperados e divertidos.

Neste momento, é só o que interessa. Entendam-me: escrevo simplesmente sobre um livro que amo, pelo que é, em si mesmo. E se este texto despertou o interesse de alguém que não conhecia Uma Agulha no Palheiro, gostaria que o procurasse pelo que o livro é.

Por um instante, esqueçamos, pois, que J. D. Salinger, seu autor, morreu na quarta-feira passada. Talvez seja uma homenagem justa. Estamos a falar do seu livro: um livro que nunca morrerá.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

DANIEL MUNDURUKU



A Amazónia veio à nossa Escola. Podemos dizer assim, porque é mesmo como se
tivesse vindo. Daniel Munduruku, o mais importante escritor índio de língua
portuguesa, esteve connosco, na segunda-feira, dia 25, e a forma mais simples de
dizer o que se passou é que foi hora e meia de puro encantamento. O facto de ser
um grande escritor, com quase 40 livros publicados (muitos deles adoptados no
ensino oficial, no Brasil), não lhe roubou aquele jeito único de contar histórias, como
apenas sabem os que cresceram numa cultura do oral.

O anfiteatro estava completamente cheio, mas a única voz que se ouvia era a de
Daniel Munduruku, a dizer-nos como é nascer e crescer índio no Brasil de hoje.
E viver na cidade sem deixar de ser da floresta. E escrever para encontrar um rosto contemporâneo no rosto da tradição.

Que sorte nós tivemos por poder estar ali. Que sorte a Faculdade de Letras ter
organizado a 1.ª Jornada Luso-Brasileira de Literatura para Crianças e Jovens e ter
convidado o Daniel. Que sorte a Conceição Pereira ser professora cooperante da
Faculdade de Letras. Que sorte sermos uma escola com sorte. Uma escola aLeRmais.

O que agora apetece mesmo é ler os livros de Daniel Munduruku. Entretanto,
podemos ir espreitando o seu blogue:
danielmunduruku.blogspot.com/

A BIBLIOTECA AZUL



Poderia ser o título de um livro, um quadro ou um filme. Mas isto não é ficção. O azul
entrou mesmo na Biblioteca da nossa Escola e, graças ao muito trabalho da equipa
e à ajuda de alguns leitores, ficou por cá, a iluminar a parede e as estantes novas.

Agora, até o Mário de Sá-Carneiro gostaria de se demorar por aqui, ele que escreveu

"Um pouco mais de azul - eu era além..."

sábado, 16 de janeiro de 2010

A BIBLIOTECA ESTÁ MAIS COLORIDA

Durante os últimos dias muitos alunos têm ficado à porta, mas é por um bom motivo.




sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

CAMUS

A morte de Albert Camus ocorreu há cinquenta anos.
Já começámos a assistir à esperável profusão de textos comemorativos. Como se o não tivéssemos abandonado e esquecido, a partir de um certo momento...
Para a maioria dos jovens, de facto, este nome nada diz. E é quase difícil explicar-lhes de que forma, para a minha geração, formada na língua, na cultura e na filosofia francesas, Camus constituiu uma referência imprescindível.

O primeiro contacto dava-se na disciplina de Francês: líamos, como texto obrigatório, e portanto na língua original, L'Étranger, esse estranho romance em que um narrador frio e distante, como se separado do mundo por um vidro que o impedisse de lhe aceder por meio de sentimentos e de emoções, descreve com uma insuportável objectividade episódios que o não marcam. («A mamã morreu»: é assim que ele inicia a narração daqueles dias a que nada o parece ligar...).

Mais tarde, para mim, por exemplo, a quem a filosofia principiava a interessar, Albert Camus surgiria como o autor de O Mito de Sísifo: é certo que o livro rasa constantemente o pessimismo, situando-nos em face do sem-sentido da existência, como se todos nós fossemos sísifos condenados pelos deuses a empurrar, dia-a-dia, uma vida vazia e absurda; consegue, porém, apresentar essa vida como, afinal, digna de ser vivida. Lembramo-nos muito bem das palavras com que o ensaio conclui: «É preciso imaginar Sísifo feliz.»

Mas, sobretudo, tendo chegado ao ponto de cortar relações com os amigos que não compreendiam o rigor das suas posições políticas - Sartre, por exemplo, não lhe perdoou as divergências -, Camus deve ser recordado como o homem desassombrado, que se não calou perante as injustiças e a opressão. Em nome de nada que não a sua consciência: nem ideologias, nem partidos, nem o comodismo que levou alguns a aceitar que os fins justificariam os meios.

Vale sem dúvida a pena uma comemoração: mas há que comemorar do único modo aceitável quando se trata de um escritor - relendo-o, se o não líamos há muito, ou descobrindo-o, se o não conhecíamos...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PESADELOS

Alguém me lembrou que esta história, se a contasse aqui, não viria totalmente a despropósito.

Uma professora, L., colega nossa que encontro regularmente em reuniões do A Ler +, confessava-me que, certa noite, tinha tido um pesadelo: sonhara comigo; porém, discreta e simpática como é, antes que a interpretasse mal e me ofendesse, explicou-me o teor do seu pesadelo.

Vivia-se o apocalipse. Literalmente. Árvores violentamente arrancadas ao chão, prédios desmoronando, vulcões cuspindo lava, automóveis levados por ventanias impossíveis; gente correndo, em busca de uma salvação que não chegaria; destruição e morte, chãos abrindo fendas, fogos consumindo crianças, lagartixas e girafas, terror em olhos inocentes, culpas por expiar.

E, no meio deste universo a desfazer-se, eis que apareço, de ar carrancudo, a L., quando se perguntava para onde ir, que fazer.
E lembrava-lhe:
«Ó menina, que é isso?! Tu ainda não "postaste" no blogue! Estive eu com aquele trabalho todo para te registar, para quê? Para nada...? Tss, tss!»

Uso este texto como meio de lembrar que o blogue é um lugar em que tudo - ou quase - cabe, desde informações, citações, poemas e referências a propósito até histórias no limiar do despropositado.

E talvez, L., possas agora estrear-te. Antes que venha o fim do mundo. Por exemplo (se te apetecer), comentando este post.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MORREU A AMIGA DE ANNE FRANK

Miep Gies era, em 1944, uma rapariga simples de Amesterdão que, por um acaso da vida, trabalhava no escritório da empresa cujo proprietário, um judeu alemão refugiado na Holanda, fundara uns anos antes. Quem estivesse atento, vê-la-ia, diariamente, chegar àquele prédio do centro da cidade, à beira de um dos inúmeros canais, carregada de sacos. Discretamente, laboriosamente, solidariamente, a jovem Miep transportava comida, livros, jornais, até ao anexo onde o seu patrão se escondera com a família e uns amigos também judeus, para escaparem à deportação, porque Hitler tinha já ocupado a Holanda. Para os ajudar, Miep arriscou a vida durante dois anos. Até que um dia, em Agosto de 1944, os nazis invadiram o anexo, prendendo e mandando para os campos de extermínio todos os seus ocupantes.
Miep Gies conseguiu a coragem necessária para subir ao anexo vazio, olhar a desordem dos parcos haveres dos seus ocupantes espalhados pelo chão, e pegar, comovida, num pequeno diário forrado com uma capa vermelha, xadrez. Era o diário da filha mais nova do seu patrão, agora presa e a caminho da morte. Chamava-se Anne Frank, tinha 15 anos e sonhava ser escritora quando a guerra acabasse.

Quando depois da guerra o patrão de Miep, que sobreviveu ao horror de Auschewitz, regressou a Amesterdão, soube que aquele diário - que tinha oferecido à sua filha no dia do 13.º aniversário e agora recebia escrito das mãos da secretária - era tudo o que lhe restava do passado, pois todos tinham morrido.

Em 1947, o Diário de Anne Frank foi publicado. É hoje, um dos livros mais lidos no mundo inteiro.

Miep Gies, a guardiã do Diário de Anne Frank, morreu ontem na Holanda. Tinha 100 anos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

CLARICE LISPECTOR SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA

(Clarice Lispector 10 de Dezembro 1920 - 9 de Dezembro de 1977)

«Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter subtilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança da língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida».

Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

RECEITA

E entre um pouco de tudo o que é importante e este blogue vai acolhendo, numa deliciosa desordem, aproveito para vos trazer aqui uma citação, também ela deliciosa.

Eis o diagnóstico de Pablo Neruda, leitor de Cortazar, que recomenda - peremptoriamente - a sua leitura:

«Quem não ler Cortazar está condenado. Não o ler é uma doença grave e invisível que, com o tempo, pode ter terríveis consequências. Algo de semelhante ao homem que nunca provou pêssegos e que vai ficando mais triste, visivelmente mais pálido e, provavelmente, aos poucos, perdendo todo o seu cabelo.»

PABLO NERUDA

ALER+ COM NADINE MESQUITA E O 7ºE













Decididamente, se há coisa que a turma 7º E tem mostrado é um enorme entusiasmo em todas as actividades em que se envolve. Desde a primeira visita à Biblioteca, na aula de projecto, passando pelas histórias tão bem contadas e tão bem ouvidas, até à sessão de 2ª feira, com uma convidada especial.
Antiga aluna da nossa escola, a ilustradora Nadine Mesquita falou sobre a arte da ilustração, sobre o diálogo perfeito que imagens e textos têm que estabelecer, sobre as emoções que as cores transmitem, e sobre muitas outras coisas. Todas acompanhadas com imagens, suas e de outros artistas, por exemplo as pranchas originais que criou para o livro O Dono de Tudo e a mascote “Choco Esperto”, também da sua autoria.
Uma assistência muito interessada e interessante, como se provou pelas intervenções, que nem queria acabar a conversa tão cedo .

De novo, parabéns ao 7ºE e aos professores Paula Varela, Cristina Nunes e José Garcia!
(E ainda só vamos em Novembro...)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Histórias com Vários Sabores

“Eu achei esta aula muito divertida, porque foi engraçado ouvir histórias de diferentes países com diferentes culturas. E também as histórias que eram do nosso país foram divertidas de ouvir e ver”.
Ana Sofia

“Foi interessante, porque ouvi contos tradicionais que não conhecia, mas havia outros que conhecia. E aprendemos outras formas de contar uma história”.
Francisco Pontes

“Eu adorei as histórias, eles representaram muito bem os papéis e foi espectacular e engraçado. A representação do João e do Daniel foram um espectáculo e eu adorei. Muito, muito”.
Rafael

“Achei que foi interessante, pois estivemos a interagir com alunos de outras turmas e estivemos a contar histórias tradicionais de diferentes países. Os teatros foram engraçados e as histórias das alunas também.”
Andreia Monteiro

“Achei esta aula/sessão muito engraçada e acho que devia repetir-se. Também gostei muito de ser contadora de histórias e agora sei que um contador, enquanto conta a história, fica muito nervoso, principalmente se for para quem não se conhece. Acho que deviam repetir esta aula, mas com histórias diferentes”.
Rita Marques

“Gostei muito das apresentações e dos desenvolvimentos das apresentações dos meus colegas. Foi uma actividade bastante pedagógica e divertida: todos nós aprendemos novas histórias e morais. Gostei muito desta experiência.”
Carla Gonçalves

“Eu gostei muito, porque pareciam artistas, com talento. Havia peças que eu nunca tinha ouvido e eram interessantes.”
Mariana Duarte


“ Eu achei que foi uma actividade engraçada, os contos foram bem representados. Acho que se devia repetir, pois deu-nos a conhecer novos contos, não só do nosso país, mas também de outros”
Rodrigo Vilela

“… foi uma hora em que todos ficámos com um bocadinho mais de cultura.”
Joana Leite

“Eu gostei muito, principalmente dos contos da China, e também dos dois contos populares portugueses. Gostava que as aulas de Formação Cívica fossem todas assim.”
Verónica Amaral

“Gostei imenso, acho que até à data de hoje foi a melhor aula que já tive… As apresentações foram excelentes. Acho que a melhor foi a da “Tia Verde Água”, mas, como eu gostei de todas, não vou avaliar só uma, vou avaliar todas – excelente aula, excelente ideia”.
Tiago Ferreira

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

75 ANOS DA PUBLICAÇÃO DA MENSAGEM

No dia 1 de Dezembro de de 1934, precisamente há 75 anos, foi publicada a 1.ª edição de Mensagem de Fernando Pessoa. Esta obra, que viria a ser uma das mais importantes da história literária portuguesa, havia concorrido ao Prémio Antero de Quental, no qual foi ultrapassada por um livro medíocre, chamado Romaria, e escrito por um tal de Padre Vasques que, obviamente, não ficou para a História.

Não quero ceder à tentação, aqui, do elogio repetido e fácil. Mas posso ceder ao impulso de transcrever um poema da Mensagem.

Por que terei escolhido este? E quem resistirá a lê-lo, hoje?


Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal, nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Fernando Pessoa, Mensagem

terça-feira, 24 de novembro de 2009

E ASSIM FOI 3 NUNOS

Com a imperfeição que é própria dos grandes momentos e de tudo quanto vale a pena, realizou-se, na Biblioteca, a sessão que anunciáramos: os 3 Nunos.

Agora, está esquecida a série de trapalhadas com que nos debatemos para a pôr de pé: falta de tempo, ensaios insuficientes, negociações árduas com professores, para que nos cedessem a sua hora de aula - e cuja boa vontade agradecemos -, nervosismos de vários tipos. Ecoa ainda o que, isso sim, conta, o que fica, o que é lembrável: uma «sala cheia», o sacrifício de alunos que avançaram em luta contra o seu cansaço ou contra a sua timidez, a informalidade, a limpidez daqueles poemas, o humor das interpretações que foram feitas de certas pinturas, ou o empenho dos violas que nos ofereceram os acordes da música do Prata.

As afinidades soltaram-se no ar. E foram lindas de ouvir e ver, de ouvir-ver. (Não se esqueçam que se trata do Projecto Ouvisões).

Um agradecimento aos rapazes que tão bem disseram os poemas de Nuno Morais: João d'Eça, João Álvaro, Paulo Dias, Ruben Silva, Miguel Baptista.
Ao Bernardo e à Verónica, que, com tanto sentido de humor e sentido do trágico e do sinistro, nos foram propondo as surpreendentes pinturas de Nuno Viegas.
Ao André Silva e ao Luís Delgado, que aplicadamente apreenderam a dificílima melodia e no-la deram a respirar.

















Este é simplesmente um primeiro lote de fotografias que foram tiradas. Nem todos os intervenientes aparecem retratados, mas outras fotos há, que podem ser vistas aqui.

domingo, 22 de novembro de 2009

3 NUNOS

Nuno Morais foi um poeta português, que morreu ainda jovem.
A sua poesia, reunida num volume com o tragicamente premonitório título de Últimos Poemas, constitui um livro muito belo de todos os pontos de vista, em que a delicadeza dos sentimentos ou o humor contido na percepção da realidade nos colocam em face de ângulos imprevisíveis, modos incomuns de pensar, sentir e exprimir.

O segundo Nuno de que vos quero falar é Nuno Viegas, o pintor. E embora haja quem detecte nele influências evidentes (como, por exemplo, a de Paula Rego), a sua visão é, também, sempre um factor de perplexidade. As pinturas que apresenta trazem uma história imaginável - mas, dessa história, que não conheceremos na totalidade, o que Viegas capta é o momento mais inesperado, o mais tenso, o mais desequilibrado; o mais estranho, o mais sinistro ou o mais divertido.




E, porque estamos em maré de Nunos, o último é Nuno Prata, igualmente um jovem, mas, neste caso, compositor e cantor. Aquilo a que já ouvi chamar um cantautor! Que nos interessa neste Nuno final? Adivinharam. O dom de nos surpreender com uma música em que o amor é cantado sem que se caia no lugar comum, na fórmula gasta. E, na minha opinião, a própria melodia evolui como os nossos ouvidos não previam nem supunham.

Para quem queira vir surpreender-se, 3 Nunos é o nome da sessão em que, a 24 de Novembro (amanhã), pelas 10. 20, a Biblioteca se tornará palco de um fascinante exercício de afinidades, cruzamentos, encontros e, quem sabe?, desencontros...

Pela voz de vários alunos, a poesia de Nuno Morais, a pintura de Nuno Viegas, a música de Nuno Prata.