quarta-feira, 6 de março de 2013

DE TERESA RITA LOPES

UM POEMA DE TERESA RITA LOPES

O pombo escuro já meu conhecido há muito tempo
bica todas as migalhas das mesas do bar.
Todos o enxotam mas não os teme
e volta descarado
assim que dão costas.
De migalha em migalha 

Pombos em Varsóvia
se regala.
Perdoa não te amar
meu pedinte pombo
sujo!
Por seres preto?
Nem pensar!
Amo os melros,
os corvos e o Obama.
Será por apanhares migalhas
ao rés do chão
em vez de usares as asas que a Natureza
te deu?
Ou por usares essa bata encardida
dos apanhadores do lixo?
Meu pobre pombo !
Afinal talvez tão só de luto aliviado
pela tua perdida
liberdade
servo das migalhas fáceis em que te viciaste.

Teresa Rita Lopes (do Facebook)

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